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Sarney diz a Lula que fica. E quer 'sanear'
Após presidente ‘dar pito’ no PT, senador diz que quer Casa de volta ao ‘processo de normalidade’
Leonêncio Nossa
José Sarney (PMDB-AP) foi ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que não vai pedir licença nem renunciar à presidência do Senado. Feliz com a contundência de Lula em sua defesa junto à bancada do PT, Sarney - que é acusado de beneficiar parentes e aliados por meio de atos secretos - conversou ontem durante duas horas com o presidente.
Sarney prometeu liderar o “saneamento” administrativo do Senado, conduzindo a Casa a “processo de normalidade” com apoio da base do governo de “quem mais estiver interessado”.
A conversa deu tranquilidade à cúpula do PMDB. Um dirigente da legenda diz que Lula deixou claro que se encarregará de administrar o PT. Segundo ele, a prova maior de que a conversa foi “muito boa” é a atitude do próprio Sarney, que estava disposto a renunciar, caso o PT não fosse enquadrado.
Sarney fez tudo o que Lula já havia combinado na véspera com ministros e líderes do PT e PMDB. O presidente deixou claro que não aceita a saída de Sarney e que a crise no Senado é política. Para Lula, o afastamento de Sarney poderia criar racha decisivo na base do governo e abrir espaço para adversários na eleição de 2010.
O encontro de Sarney com o presidente - previsto desde início da semana - foi fechado ontem, após Lula acertar com PT apoio ao aliado. No jantar com senadores petistas, questionou como seria se ele próprio tivesse de se licenciar do cargo toda vez que em que houvesse algo a ser apurado. Além de expor riscos de rompimento com o PMDB de Sarney e Renan Calheiros, a começar pela instalação da CPI da Petrobrás, Lula afirmou que é ele quem comanda a condução da crise.
Aloizio Mercadante e Marina Silva foram os mais enfáticos na defesa da licença de Sarney. Líder do governo, Ideli Salvatti (PT-SC) também avaliou que, mais do que impor custo político ao PT, o apoio a Sarney impõe custo à sociedade e às instituições.
O discurso de que o governo não pode “fazer o jogo” da oposição foi usado por Lula. Interlocutores do governo propagaram ontem a ideia de que Lula tem as rédeas do processo e influência para evitar afastamento de Sarney.
Nas conversas com colaboradores, porém, Lula reconhece que a onda de denúncias é imprevisível. Também vê falta de compreensão política da crise do Senado, por parte dos petistas.
Segundo assessor próximo do presidente, até agora o PT não entendeu que a oposição “joga para a plateia”. “Vão tirar o Sarney e deixar o amigo para fazer a transição?”, questionou, referindo-se com ironia ao tucano Marconi Perillo, vice-presidente do Senado.
Demonização
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata ao Planalto em 2010, pregou apuração das denúncias, defendeu Sarney e disse que não se pode “demonizar” ninguém. Ao falar da notícia de que Sarney não declarou à Justiça Eleitoral a casa onde mora (leia ao lado) em Brasília, ela defendeu apuração do fato, mas disse que o aliado não pode ser jogado aos “leões”.
“Nada deve ser ocultado. O governo não defende a ocultação de nada”, afirmou Dilma. “Por outro lado, não concordo em demonizar o presidente Sarney e responsabilizá-lo por toda a crise.”
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