estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   
Tabelas do esporte
BLOG
Advogado de Defesa
 
 
  
      Busca local   
Sábado, 4 julho de 2009   edições anteriores
OPINIÃO
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  Em queda no mundo, droga aumenta no Brasil

Enquanto o mundo comemora um avanço na guerra contra as drogas - o mercado da cocaína, que mobiliza US$ 50 bilhões/ano, diminuiu 15% em 2009, a maior queda em cinco anos -, o Brasil amarga um revés nesse setor: aqui o consumo quase dobrou nos últimos três anos.

O Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (Unodc), que divulgou esses números, atribuiu essa inversão da tendência de alta, registrada nos últimos cem anos de campanhas contra o vício, à crescente cooperação internacional. A mesma fonte encontrou explicações originais, e até razoáveis, para o fato de ter ocorrido em nosso país o inverso da tendência de queda: o sucesso da economia e a melhoria da medição. Pois é: os especialistas mundiais acham que a ascensão da renda das famílias brasileiras - estando hoje, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, 51% delas na classe média - ampliou o potencial de compra de alimentos, mas também o de produtos químicos que vendem a falsa e fatal felicidade. O aumento de apreensões pela polícia e também a maior procura de serviços públicos de saúde pelos viciados nestes últimos três anos podem também, na opinião desses entendidos, ter anabolizado as estatísticas do consumo de cocaína no Brasil. Hoje, o total de brasileiros viciados no pó branco atingiu os 890 mil, aproximando-se do primeiro milhão. E esta não é a única droga que incomoda as autoridades policiais e sanitárias brasileiras: no período avaliado, triplicou o volume da apreensão do crack, derivado mais barato e mais nocivo à saúde, passando de 145 mil quilos/ano para 578 mil. E, segundo Bo Mathiasen, representante do Unodc no Brasil, “o crack vicia muito, agravando, rapidamente, o problema da dependência química”.

Tanto no caso da cocaína como do crack no Brasil, contudo, talvez seja necessário acrescentar mais causas a essa tendência negativa, inversa à dos outros países. A primeira delas é o desregramento dos costumes e dos comportamentos, com a ausência de limites, pela falta de freios morais à licenciosidade, e a aceitação social de hábitos e atitudes antigamente rejeitados. Se bem que este não seja um fenômeno exclusivamente nosso, aqui ele atingiu um grau de excessiva liberalidade, superando países ricos antes tidos como exemplos de permissividade.

A perda de valores, que invadiu lares, escolas, escritórios e ambientes de convívio público, tem efeitos perversos, agravados no Brasil, mais que em outros lugares, pela corrupção, que corrói as bases morais da sociedade e facilita a atividade ilícita dos criminosos, que usufruem dos lucros dessa permissividade. Isso aumenta os incidentes violentos, pondo em risco a segurança, a saúde e a vida de cidadãos sãos e honestos, desmoraliza a autoridade constituída para impor o cumprimento da lei e esgarça o tecido social, começando pela decomposição da célula familiar. O quadro é assustador - e ainda é agravado pela falência da educação, antídoto mais eficaz no combate a esse veneno.



    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.