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Sexta-feira, 3 julho de 2009   edições anteriores
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  O vale de lágrimas que dá ibope

Autor de ‘Caras & Bocas’ acerta ao apostar em infelicidade no amor para subir a audiência

ALINE NUNES, aline.nunes@grupoestado.com.br

Depois de tropeços e histórias encalhadas, a Globo conseguiu crescer o horário das 19h com a novela Caras & Bocas, com Flávia Alessandra e Malvino Salvador como protagonistas. Um dos trunfos do autor Walcyr Carrasco para manter, há duas semanas consecutivas, o folhetim com a boa média de 30 pontos de audiência? Uma horda de infelizes no amor e relacionamentos que não avançam. “Isso chama atenção do público. Do que adianta ser tudo ser mil rosas?”, indaga o autor.

Na lista dos infelizes estão os atores Henri Castelli (Vicente), Miguel Rômulo (Felipe) Malvino Salvador (Gabriel) e Marcos Pasquim (Denis), que por vezes até disputam qual é o mais azarado no amor nos corredores do Projac. Mas Walcyr garante: todo esse ‘sofrimento’, cercado de humor, é para que a novela caminhe melhor. “Esses relacionamentos complicados não deixam a novela esgotar, pelo contrário, dão fôlego”, explica Carrasco.

Atrás da personagem de Dafne (Flávia Alessandra), por exemplo, o que não faltam são pretendentes. Depois de quase levar um golpe do baú de Nicholas (Sérgio Marone), a loira agora divide a atenção entre o comerciante Gabriel e o nerd Vicente, que no final sempre leva a desvantagem por ser muito tímido - sem falar que Gabriel é pai de Bianca (Isabelle Drumond) com Dafne.

Esta semana até que o relacionamento de Dafne e Gabriel está esboçando uma estabilidade, com a moça de mudança marcada para a residência dele. Mas Walcyr logo inclui algum drama, como observa Malvino Salvador. “Ainda é cedo para o Gabriel se dar bem no amor. Eles vão passar por muitas coisas, uma porque são personagens do Walcyr, que adora um drama bem humorado, e outra porque pensam de forma muito diferente”, diz o ator.

O casal de protagonistas é tão confuso que há semanas eles se casaram e até agora não conseguiram parar de discutir, tudo por conta do orgulho de Gabriel, que é mais pobre que Dafne. “Mas a complicada da história é a Dafne mesmo”, defende Walcyr.

Para o autor, a personagem de Flávia Alessandra seduz os homens, e ao mesmo tempo os despreza. E a filha Bianca (Isabelle Drumond), claro, aprendeu rapidinho com a mãe. O personagem Felipe, interpretado por Miguel Rômulo, engrossa o coro dos sofredores, nas mãos da adolescente mimada. “Ela estala os dedos e ele está lá”, diz Rômulo. Ele conta que todas as meninas se apaixonam por Felipe, menos Bianca. “Às vezes, ele até parece um cachorrinho dela, mas é porque ele sempre está ao lado para o que der e vier. Ele só não avança na amizade porque tem a consciência de que ela é rica e ele é pobre”, completa o ator.

Só não menos ‘cachorrinho’ que Felipe é o artista plástico Denis (Marcos Pasquim). Tudo o que Simone (Ingrid Guimarães) pede, o atrapalhado pintor faz correndo. Até o estilo de pincelar tentou trocar para ver se agrada a perua - tanto que esconde o segredo de um macaco fazer as suas obras -, mas Simone, assim como Dafne e Bianca, banca a difícil. “Eu não acho que ele seja o mais encalhado da trama. O problema do Denis é a timidez”, defende Pasquim.



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