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Sigam-me os bons
GILBERTO AMENDOLA, gilberto.amendola@grupoestado.com.br
O que mais pode servir para listar o menu do café da manhã, divulgar um show de rock no interior de São Paulo e derrubar o governo do Irã? A revolução em 140 toques chamada Twitter , o site de relacionamento da internet que tem dado o que falar e escrever por sua simplicidade e eficiência, começa a desempenhar um papel inusitado entre celebridades e simples mortais. Todos, em pouco tempo, ficam sabendo de notícias úteis ou fúteis sem mais a necessidade de um intermediário (assessor de imprensa, jornais, rádios, TVs...).
Quem navega pelo Twitter descobre, por exemplo, que o ator Bruno Gagliasso está viciado no site e que, por engano, tornou público o número do seu celular; que Luciano Huck tinha convidado Sandy para cantar uma música de Michael Jackson em seu programa, mas que ela recusou; que parte da classe artística está se mobilizando contra o presidente do Senado, José Sarney. Torcedores do Corinthians descobriam, ontem, detalhes da festa pelo título da Copa do Brasil.
O poder da máquina está na união de síntese, mobilização e divulgação. O Fresno, grupo de rock de São Paulo, afirma usar o recurso do Twitter para arrastar fãs para seus shows surpresa. “Quando estamos em alguma cidade, colocamos uma mensagem no Twitter dizendo que, em duas ou três horas, vamos fazer um pocket show em determinado posto de gasolina. Pouco tempo depois, o lugar já está cheio”, comenta Lucas Silveira, vocalista do Fresno.
A capacidade de acabar com os intermediários tem feito da peça uma dor de cabeça para profissionais de comunicação. Sem querer o nome divulgado, assessores de imprensa se dizem impressionados com a velocidade e o retorno da informação. “Daqui a pouco não vão precisar mais da gente”, diz um assessor.
Jornalistas e assessores de imprensa, quando não podem com o Twitter, se aliam a ele e passam a atuar como o que chamam de “ghost writer de Twitter”, ou escritor fantasma de celebridades.
Luiz Lombardi, assessor do técnico Vanderlei Luxemburgo, é quem ‘twitta’ (escreve) no lugar de seu chefe. “A gente se fala de 5 a 10 vezes por dia ao celular. Ele me passa o que está fazendo ou pensando e eu redijo”, fala Lombardi. Mano Menezes, técnico do Corinthians, um dos mais procurados (‘seguidos’, na linguagem do Twitter) por internautas, também terceiriza a sua escrita.
A ferramenta começa a ser descoberta também como arma política. Uma rápida procura e eles estão lá, representantes de partidos e tendências das mais variadas, incluindo o presidente dos EUA, Barack Obama. O secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo, é um ‘twitteiro’ ativo. “Uso para ter um contato com a população, mas não como divulgação pessoal. Quem usar o Twitter somente como marketing vai morrer.”
O governador José Serra também é um usuário mas, segundo sua assessoria, prefere não falar sobre o assunto, ao menos não fora do Twitter. “Ele não quer polemizar”, informou seu assessor. No twitter do governador descobre-se, por exemplo, que ele considera 5 horas de sono por noite mais do que necessárias.
O apresentador Luciano Huck tenta resumir o papel do Twitter: “Trata-se de um canal direto com o telespectador. Um canal de duas vias, o que é muito bom. Mas tem de ser usado com critério e bom senso.”
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