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Bando aplicava o golpe do emprego
Oito pessoas foram denunciadas à Justiça acusadas de vender vagas de trabalho a R$ 2,5 mil
JOSÉ DACAUAZILIQUÁ, jose.dacau@grupoestado.com.br
O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia à Justiça contra oito pessoas acusadas de aplicar o golpe do emprego. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cada vaga era “vendida” por cerca de R$ 2,5 mil. O advogado da empresa, Marco Antonio José Sadeck, não concordou com a acusação e defendeu que seus clientes trabalhavam no segmento gestão empresarial e não de recolocação profissional.
O promotor do Gaeco (núcleo São Paulo) Everton Luiz Zanella contou que a empresa investigada se trata da Center’s Marketing fundada por “laranjas” que estariam a serviço do casal Carlos Roberto Deffune e Rosane Aparecida Deffune e de sua filha Christiane Vanessa Deffune.
“Essa já é a sexta empresa da família que foi fechada pelo mesmo motivo. O casal está proibido pela Justiça de atuar nesse ramo, por isso usou ‘laranjas’”, disse Zanella. De acordo com o Gaeco, os proprietários da empresa são: os irmãos Fabrício e Fernando Cunha Pereira (o primeiro é noivo de Christiane), além de Fábio Eduardo Pinella. Foram denunciados também os funcionários: Marcelo Braga Duque e Mara Regina Diamantino.
O esquema
A empresa foi estabelecida em endereços nobres da capital. No primeiro momento ficou sediada na Alameda Santos (Cerqueira César) e depois transferida para a Rua Funchal (Vila Olímpia).
De acordo com o promotor, as vítimas procuraram a Center’s Marketing atraídas por anúncios divulgados em vários meios de comunicação. Uma delas é Patrícia Oliveira Souza, que alegou ter pago R$ 2,5 mil para conseguir a “recolocação profissional”.
A empresa ainda teria oferecido a elaboração de currículos, entrevistas e até treinamento. E, passados dois anos, nada do que foi prometido se concretizou.
Outra vítima que prestou queixa à polícia foi o médico Múcio Henrique Frange da Cunha, que pagou R$ 2,3 mil para conseguir um novo emprego.
De acordo com a denúncia do MPE, quem atendeu o médico foi Duque, que em depoimento afirmou que não queria efetivar o contrato por se tratar de um senhor de 60 anos de idade. Mas que no entanto teve de fazê-lo por determinação de Christiane.
O advogado dos Deffune alegou que a primeira vítima, no caso Patrícia, não foi localizada. E que a outra, um médico, procurou a empresa e foi ressarcido. “Acredito que houve um excesso do MPE.Temos uma vítima oculta. E a outra que meus clientes devolveram o dinheiro, comprovando a boa fé da empresa”, disse Sadeck.
As pessoas foram denunciadas por: estelionato, formação de bando e crime contra as relações de consumo. Caso sejam condenadas, podem pegar uma pena de entre cinco e 18 anos.
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