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1/3 dos paulistanos tem alto risco de enfarte
Este é o resultado preliminar do mutirão do coração, realizado em SP e Campinas
HUMBERTO MAIA JUNIOR, humberto.maia@grupoestado.com.br
Um em cada três paulistanos tem risco elevado de sofrer alguma doença cardíaca - a principal causa de morte no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O levantamento, feito com 35 mil pessoas na capital e em Campinas, mostrou que cerca de 33% têm chances de 20% ou mais de sofrer enfarte ou outro problema cardíaco.
O levantamento foi feito no primeiro dia do Mutirão do Coração, realizado no sábado pela Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), em 420 Unidades Básicas de Saúde e 20 hospitais estaduais. As pessoas atendidas foram voluntárias para a avaliação.
Elas preencheram um questionário sobre hábitos de vida e tiveram a pressão arterial e a circunferência abdominal medidas. As informações foram, então, analisadas num computador. Um software criado para o projeto determinou a probabilidade de a pessoa sofrer alguma doença cardíaca.
“Hoje, vemos muitos jovens com barriga, pessoas que fumam, sofrem de diabetes”, disse o presidente da Socesp, Ari Timerman, citando alguns dos fatores de risco que predispõem a um mal cardíaco. Coordenador estadual de saúde, Ricardo Tardelli afirmou que a ideia do mutirão, que continua amanhã, é alertar as pessoas dos fatores de risco. “Se o indivíduo tem como fatores de risco a genética e a idade, não há muito a fazer. Mas se for sedentarismo, tabagismo e excesso de peso, aí algo pode ser feito.”
Para calcular a probabilidade de doenças cardíacas, foi tomado como base o Score de Framingham. “Quem fuma tem probabilidade de morrer quatro vezes maior do que quem não fuma. Quem tem pressão alta, três vezes, diabetes... vai fazendo o cálculo até se chegar à probabilidade.”
Segundo o presidente da Socesp, o fato de um terço dos pesquisados apresentar risco cardíaco elevado surpreendeu. “É um número muito grande de pessoas”, disse o especialista, que esperava um índice em torno de 10%.
“Muitas pessoas desconhecem ter pressão alta porque, em 50% dos casos, os sintomas não aparecem”, disse Timerman. “Hoje em dia, as pessoas fazem pouco exercício. É preciso que adotem hábitos saudáveis.” Outra recomendação é procurar um médico em caso de a pessoa ter fatores de risco.
Para Noedir Stolf, chefe da equipe de Cirurgia Cardíaca do Hospital Beneficência Portuguesa, da capital, o número não causa surpresas. “Tirando países da África Subsaariana, em todos os outros lugares as doenças cardiovasculares são extremamente frequentes.” Nesses países africanos, a principal causa de morte são doenças infecciosas, como a Aids.
A expectativa dos organizadores do mutirão é atender 150 mil pessoas. Quem estiver interessado, pode comparecer amanhã a um dos locais disponíveis e apresentar CPF ou cartão do SUS. Os locais de atendimento podem ser consultados no site www.mutiraodocoracao.com.br.
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