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Alerta do Airbus demorou 2h
França diz que se perdeu tempo nas buscas porque Brasil não informou a troca do controle aéreo
LÚCIA JARDIM
A divulgação do primeiro relatório de investigação do voo 447 motivou uma contestação oficial do Brasil ao Escritório de Investigações e Análises (BEA, no original). Os investigadores franceses alegaram que a demora para perceber o desaparecimento do avião, que caiu no Atlântico em 31 de maio, provocou um atraso de “uma ou duas horas” no início das operações de busca.
Conforme a investigação, os controladores de voo do Brasil não teriam efetuado a transferência do 447 para as autoridades senegalesas, responsáveis pelo monitoramento do trajeto a partir do ponto Tasil, no Atlântico. Os brasileiros teriam realizado só a primeira etapa do protocolo, a coordenação, que consiste em passar as informações sobre o plano de voo e informar que se aproximava da região controlada pelo Senegal.
“A transferência não foi feita e os serviços de controle não se preocuparam. Foi algumas horas depois que, na ausência de contato, os diferentes mecanismos de controle foram ativados. Às 7h30 (2h30 em Brasília) é que se deram conta de que o avião não estava nem em contato com o Brasil nem com Dacar”, afirmou Alain Bouillard, responsável pelas investigações do BEA.
À noite, em nota oficial, o comando militar brasileiro reagiu, informando que às 22h33 do dia 31 de maio, a tripulação do 447 fez o último contato de rádio com o órgão de controle de tráfego aéreo brasileiro, informando a hora estimada em que sobrevoaria as próximas posições virtuais previstas na rota. Imediatamente depois, o órgão informou ao Centro de Controle de Dacar, no Senegal, que o A330 estaria na posição virtual Tasil às 23h20 e caberia a Dacar o controle sobre a movimentação. Dacar confirmou o recebimento dessa informação (leia ao lado).
Informado sobre o desmentido da Força Aérea Brasileira (FAB), no Brasil, o investigador francês insistiu que a troca de informações registradas dizia respeito apenas à coordenação e não à transferência de voo, que deveria ter acontecido por um contato às 2h20 (23h20 em Brasília).
Bouillard evitou culpar o Brasil ou o Senegal pelo problema. “Não se pode falar em erro, mas sim em uma disfunção, que o BEA está investigando. Hoje nós trabalhamos pela segurança e não para determinar responsabilidades.”
Autópsias
Bouillard também preferiu não comentar a suspensão das buscas de destroços por parte do Brasil, mas reclamou mais uma vez que os resultados das autópsias nos corpos dos ocupantes do voo 447 pelos especialistas brasileiros ainda não foram entregues ao BEA.
“É algo que nos falta, não temos dados sobre o resultado das autópsias. Ele nos traria informações que poderiam confirmar algumas hipóteses”, disse Bouillard, esclarecendo que o pedido às autoridades brasileiras já foi feito e agora os investigadores aguardam as análises. “Elas virão, com atraso, mas virão.”
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