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Troca no comando da CBB anima Varejão
FABRÍCIO LIMA, fabricio.lima@grupoestado.com.br
Anderson Varejão nunca deixou a Seleção Brasileira. Mas ele conta que já teve um bom motivo para fazê-lo. No ano passado, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) escondeu que tinha sido avisada pelo Cleveland Cavaliers que o ala/pivô estava contundido e não poderia ir ao Pré-Olímpico da Grécia. O Brasil não foi aos Jogos de Pequim e Varejão ficou com a fama de desertor.
Mas agora Varejão garante: ele vai integrar a Seleção na disputa da Copa América, marcada para o próximo mês, em Porto Rico. As quatro melhores equipes do torneio vão garantir vaga no Mundial da Turquia-2010.
“Vou me apresentar mesmo que ainda não possa fazer treino de jogo”, explicou o brasileiro, que se tornou um “agente livre” e não tem mais obrigações contratuais com o Cleveland. Enquanto não fechar com uma equipe, Varejão não deverá se arriscar em quadra. Quando ocorrer um acerto, a CBB terá de pagar um seguro para tê-lo atuando pelo time do Brasil.
A troca de comando na CBB, que tem agora Carlos Nunes como presidente após a saída do autoritário Gerasime Bozikis, o Grego, foi o principal motivo para Varejão ganhar confiança. A forma como a CBB administrou seu pedido de dispensa no ano passado não foi clara e causou alguns constrangimentos.
“Acho que foi uma falha (da CBB), né?”, diz o jogador, que havia sofrido uma entorse no tornozelo esquerdo e uma lesão no quadríceps da perna direita na época e, por isso, não poderia jogar. Ele diz ter trocado e-mails com a CBB falando sobre suas condições. “Eles sabiam o tempo todo o verdadeiro motivo. Isso tudo foi muito difícil para mim e para a minha família.”
Varejão conta que ficou angustiado quando recebeu o laudo definitivo do médico do Cleveland, Richard Parker, confirmando a lesão. “Eu estava em Vitória fazendo tratamento... O pessoal vinha falar: ‘Poxa, por que você não vai jogar pela Seleção?’. E alguns não só falavam, mas gritavam, até agressivos: ‘Você não honra a camisa do Brasil!’”
A situação só não ficou pior, segundo Varejão, porque na época do Pré-Olímpico ele conversou com o técnico da Seleção, Moncho Monsalve, e mostrou todos os papéis que comprovavam que a CBB sabia de tudo.
Agora que a entidade está em outras mãos, Varejão acredita em vida nova no time nacional. A visita que recebeu de Moncho nos Estados Unidos foi uma evolução. “Foi a primeira vez que isso aconteceu. E o Carlos Nunes disse que a CBB será mais presente. Antes eu só recebia mensagem de parabéns, essas coisas. Nenhum contato concreto.”
Para evitar dúvidas sobre sua vontade, Varejão faz questão de dizer: “Sempre foi uma honra e um orgulho muito grande defender o Brasil, porque eu nunca deixei a Seleção”, garante.
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