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  Voz para 'um dia de sol nas férias'

Bruna Caram lança segundo disco e aposta em sonoridade pop para alcançar público além da MPB

Marco Bezzi

A voz doce e encantadora combina simetricamente com o rosto e o jeito de menina. Bruna Caram sai de mais uma apresentação na qual começa a divulgar seu novo lançamento, o disco Feriado Pessoal. Senta no sofá de uma lanchonete e respira serena. Batata frita, sanduíche vegetariano e suco de tangerina na mesa. Foram seis meses de preparo entre escolha de repertório, gravação e mixagem ao lado do experiente produtor Alexandre Fontanetti.

As 12 canções que compõem o disco energizam, são “para um dia de sol nas férias”, como diz a cantora. A ex-Trovadores Mirins e Urbanos quer mostrar que a MPB também pode andar lado a lado com a alegria. Do samba melancólico fundido à letras e melodias de fossa, Bruna acha que o cenário já está bem preenchido. “Adoro sons para chorar, mas acho que o público está sentindo falta de músicas para se sentir bem, para esquecer desse ambiente caótico e cinza em que vivemos”, explica.Desde a capa do CD, o fio condutor de Feriado Pessoal é essa busca da cura através das suas faixas. “A minha foto colorida no edifício Copan com a cidade cinza ao fundo é a cara do disco.”

No pocket show que fez no Shopping Cidade Jardim, Bruna apresentou faixas do novo CD e músicas que a fizeram conhecida como Palavras do Coração, do álbum anterior, Essa Menina, de 2006.

Com um sorriso no rosto ao interpretar, a cantora é das mais afinadas de sua geração. Quando canta, parece mais velha, segura de que vai rechaçar a imagem de artista inocente. “Quero atingir um público adolescente, dialogar com essa moçada também”.

No repertório, além da faixa-título composta por ela, há músicas de Lô Borges (Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor), Guilherme Arantes (Cuide-se Bem) e Caetano Veloso (Gatas Extraordinárias). “A escolha do Caetano foi natural. Cantava essa música aos 18 anos em uma banda que se apresentava em bares. Ficou bem diferente da versão da Cássia Eller.”

Quando fala em diferenças, Bruna quer explicitar sua identidade pop. Quer deixar claro que o novo trabalho é uma obra acessível para quem curte outros gêneros além da MPB.

No estúdio, antes de iniciar as gravações, passou uma fita com sugestões de timbres e tons para o produtor. Nela constavam Fela Kuti, James Brown e outros artistas internacionais. Borrar a linha entre o nacional e o internacional foi a solução para a cantora mostrar sua cara. “A brasilidade já está intrínseca no jeito da gente cantar e tocar. Quis trazer essas referências de fora para não ficar engessada apenas na brasilidade”, diz.

Em São Paulo, os shows de lançamento do CD serão nos dias 7 e 8 de agosto, no Tom Jazz. Antes, Bruna quer dar um jeito na faculdade de música. “Ainda tenho três matérias pendentes. E olha que sou super CDF ”. Durante o ano, vai sair da casa dos pais e quer apostar todas as fichas na carreira. A menina tímida na adolescência quer ser vista. Talento e doçura no mesmo pacote.



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