estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   
Tabelas do esporte
BLOG
Advogado de Defesa
 
 
  
      Busca local   
Quinta-feira, 2 julho de 2009   edições anteriores
VARIEDADES
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  A vingança da fofoca

Um site de amenidades sobre famosos deu em 1ª mão a morte de Michael Jackson. E virou sensação mundial

Fernanda Brambilla

TMZ, ou “thirty mile zone” é a expressão em inglês que define o perímetro de 48 km que margeia os grandes estúdios entre as ruas Beverly Boulevard e La Cienega Boulevard de Los Angeles, Califórnia. A sigla também é nome do site de celebridades TMZ, que tornou-se referência para a mídia internacional após noticiar, em primeira mão, a morte de Michael Jackson.

O blog com pedigree jornalístico que se dedica às fofocas do miolo geográfico de Hollywood cravou a morte do rei do pop apenas 23 minutos após o óbito oficial do cantor, às 14h24 no fuso local da quinta-feira, muito antes das TVs Fox e CNN. Entre a desconfiança da concorrência e o mérito da maior cobertura de sua breve existência de 4 anos, o TMZ tomou as rédeas dos acontecimentos que viriam a seguir - a discussão sobre a guarda dos filhos, as suspeitas da família Jackson da morte por overdose, o destino incerto do rancho Neverland. Com exclusividade, o blog noticiou, ainda que sem comprovação científica, que nem Michael nem Debbie Rowe seriam os pais biológicos de duas das crianças.

Ao JT, a porta-voz do site, Nicky Fertile, disse que a equipe ainda se organiza em meio aos pedidos de entrevista que se amontoam. “Não param de ligar aqui pedindo entrevistas, gente do mundo inteiro”, diz Fertile. “Ainda estamos filtrando esse monte de emails e pensando no que vamos fazer com relação a isso.” Nem mesmo números de audiência foram divulgados. “Por enquanto, decidimos que não vamos passar índices de page-viewers, como tem sido a política do site.”

Nos últimos dias, o editor do TMZ, Harvey Levin, foi sabatinado em redes de TV para justificar como deixou a concorrência para trás. “Não importa o que os concorrentes digam. As pessoas sabem que nós demos a história antes, e questionar a nossa credibilidade não vai mudar isso”, disse Levin ao vivo na CNN. Na fatídica quinta-feira, foi procurado por diversos veículos: “Ligavam para perguntar: ‘Vocês têm certeza? E é uma coisa tão estranha de se perguntar, porque não publicaríamos se não fosse verdade. Fiz mais de 100 ligações até confirmar isso. Nossa equipe cobriu toda a cidade.”

No Brasil, a Warner Bros exibe em seu canal a cabo o programa TMZ, que mostra a reunião de pauta da equipe da redação do site. Comandado por Harvey Levin, o programa mostra o que cada repórter conseguiu em seu giro pelas redondezas: o que domina são entrevistas com atores que passeiam na calçada, ou no rápido caminho do restaurante à limusine na porta. O tom de humor escrachado dá o tom às pautas.

As notícias do TMZ oscilam dentro do trivial mundo dos paparazzi: em imagens de vídeo tremidas, a socialite Paris Hilton aparece saindo de uma loja em direção a um carro luxuoso; em detalhes picantes, a última etapa da briga-rompimento-reconciliação de Pamela Anderson é relatada; ou o último escândalo de Lindsay Lohan. Em meio à salada de famosos e galerias de fotos, alguns flagrantes revelam atores do primeiro escalão do cinema como Ben Affleck ou Morgan Freeman respondem a perguntas triviais na saída do restaurante. E, como todo site de paparazzi, vídeos com reações raivosas de celebridades contra fotógrafos de plantão.

Mas mesmo no universo trash das fofocas, alguns diferenciais distanciam o TMZ dos demais blogs do gênero. Documentos legais, como boletins de ocorrência, papeis de divórcio, fotos oficiais da polícia de Los Angeles incrementam o material, dando pistas das boas relações do TMZ com as autoridades locais e o Departamento Policial de Los Angeles.

Em julho de 2006, o site conseguiu seu primeiro grande furo: estampou em primeira mão a prisão do ator Mel Gibson, que dirigia embriagado em Malibu. Parado pela polícia, o ator teve de usar o bafômetro e foi levado sob custódia de madrugada. Começava aí o salto do site, até então pouco levado a sério pela concorrência.

Meses mais tarde, outro furo do TMZ foi noticiar a separação da cantora Britney Spears e o dançarino Kevin Federline, com direito a uma cópia do documento que comprovava o desquite.

O escândalo mais recente, a agressão do cantor Chris Brown à namorada também famosa Rihanna, foi comprovada com a publicação de uma foto da cantora com machucados no rosto. Muitas das informações revelam o perfil de quem coordena as ações do time de paparazzi - muito bem relacionada com seguranças dos restaurantes locais, comerciantes e autoridades de Los Angeles. O chefão Levin era repórter da rede de TV CBS e foi produtor do programa Celebrity Justice, o que explica em partes a agenda rica em contatos nas delegacias da redondeza hollywoodiana.

O principal concorrente do TMZ, o Los Angeles Times afirmou inicialmente que o cantor estava em coma quando o site já havia cravado a morte. Não obstante, em sua coluna de opinião, o jornal questiona se o TMZ confiou em uma fonte segura ou se conseguiu a informação a partir de algum funcionário que teria quebrado sigilo entre médico e paciente.

O jornal lembra que o Hospital de UCLA, para onde Jackson foi levado pelo resgate já sem vida na quinta-feira, esteve metido em investigação criminal recentemente. Uma repórter do Los Angeles Times escreveu: “No ano passado, 19 funcionários foram indiciados por violarem arquivos médicos confidenciais de Britney Spears. É difícil conceber que outras pessoas nesse meio colocariam o emprego à risca.”



    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.