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Quinta-feira, 2 julho de 2009   edições anteriores
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  Mais 1 morto em briga de trânsito

PM recebe 400 ligações por dia; dessas, 12 viram ocorrências

Camilla Haddad e Daniela do Canto

O estudante Jair Olímpio de Almeida Júnior, de 22 anos, foi assassinado com um tiro no peito às 18h30 de anteontem, após supostamente irritar um motorista na Avenida Nordestina, na Vila Curuçá, na zona leste da capital. A vítima faz parte de um dado alarmante: segundo a Polícia Militar, diariamente o telefone 190 da corporação recebe de 350 e 400 ligações com chamados para atender brigas de trânsito.

Muito provavelmente, a família do estudante já havia acompanhado pelos noticiários tantas outras mortes estúpidas no trânsito da capital. Algumas delas repercutem ainda hoje.

Numa manhã de fevereiro de 1997, o marronzinho da CET Vagner de Jesus Freitas, de 30 anos, foi assassinado com três tiros após multar um motorista que havia parado sobre a faixa de pedestres. Indignado, o homem, motorista da Secretaria de Governo e Assuntos Estratégicos, atirou. Em março daquele ano, um carcereiro de 28 anos matou a tiros a estudante Andrea Ellerkmann Sanches, de 20, porque o namorado dela o fechara involuntariamente numa avenida na zona leste.

Em novembro do ano passado, o motociclista Caio Vinicius Gervásio dos Santos, de 28 anos, morreu atropelado pelo motorista de um Toyota. Ele ficou irritado porque o motoqueiro teria danificado seu retrovisor.

Muitas das discussões que terminam em morte nem chegam aos telefones da PM. A companhia informa, entretanto, que dos 400 chamados diários, 12 desses acabam sendo registrados, pois quando a viatura chega ao local indicado, a briga já terminou.

Duplicidade

Por conta desses desentendimentos que podem resultar em morte, diz o capitão Emerson Massera, porta-voz do serviço de comunicação social da PM, os policiais costumam atender aos chamados. Há, contudo, duplicidade de ligações dentro desse total de 400 chamados. “São testemunhas que ligam mais de uma vez pela mesma briga.”

O crime da noite de anteontem foi mais um desses casos que ficam sem explicação para a família. Segundo testemunhas, Jair foi baleado porque reduziu a velocidade duas vezes ao passar por lombadas eletrônicas. Ele estava com um amigo no carro.

Quem viu o crime contou à política que o motorista de um Fiat Tipo vinho teria atirado três vezes na direção do carro do estudante. Irritado, ele buzinou diversas vezes quando Jair diminuiu a velocidade pela primeira vez.

Atirou quando o carro do estudante freou novamente, ao passar por outra lombada na Avenida Nordestina. O equipamento estava desativado. Na lataria do carro ficaram duas marcas de tiros: uma na lateral e outra na porta do motorista. Jair foi atingido na altura do peito.

Vanderlei de Almeida, um dos quatro irmãos da vítima, disse em entrevista a uma emissora de televisão que a família sempre se preocupou com a violência, mas nunca imaginou que pudesse vivenciar um caso tão próximo. “Infelizmente, hoje foi com meu irmão, amanhã acontece com outra pessoa.” Ele disse que o irmão não tinha inimigos.



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