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Quinta-feira, 2 julho de 2009   edições anteriores
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  Salões adotam peças personalizadas

Estúdios de beleza de São Paulo usam kit individual ou descartável para evitar a hepatite

Lais Cattassini, lais.cattassini@grupoestado.com.br

Os salões de beleza de São Paulo adotaram kits de manicure e pedicure individuais para evitar a contaminação de hepatite. Alicates de unha personalizados e lixas e palitos descartáveis ajudam a tornar o processo mais higiênico. O uso da bacia de água também foi abandonado por alguns estabelecimentos, de modo a evitar a proliferação de fungos e micoses.

O risco de contaminação de hepatite fez com que todos os salões de beleza fossem obrigados pela vigilância sanitária a esterilizar as ferramentas utilizadas no corte de unha e cutícula com autoclave. Os estabelecimentos também devem adquirir licença de funcionamento junto ao órgão municipal.

Segundo a médica Maria Lúcia Ferraz, professora de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a melhor conduta ao fazer as unhas é ter seu próprio equipamento.

“A falta de cuidado no manejo dos alicates apresentava um risco de transmissão de hepatite B e hepatite C. Não se deve ter compartilhamento de objetos que têm contato com sangue.”

O salão Rivabele Cabeleireiros, em Higienópolis, região central, criou kits individuais para as clientes. A manicure Marineide Carneiro, de 31 anos, comprou alicates e gravou o nome das clientes na ferramenta. Após o uso, os objetos são esterilizados e guardados. Para fazer as unhas, as clientes recebem um kit com lixa, palito, toalha e protetor de bacias, tudo para evitar a propagação de doenças.

“As clientes compram o kit e podem levar, mas algumas preferem deixar os objetos aqui, já que costumam vir toda semana”, conta.

A adoção das medidas segue as recomendações da Secretaria de Estado da Saúde. No início do ano, uma pesquisa do Instituto Estadual de Infectologia Emílio Ribas revelou que 10% das manicures paulistas estavam contaminadas pelo vírus da hepatite B ou C e que 100% delas não esterilizavam os alicates corretamente.

A vigilância sanitária municipal, entretanto, não tem qualquer recomendação quanto ao uso da bacia para fazer as unhas. “Mesmo não sendo uma regra, resolvemos abandonar a bacia e adotar luvas descartáveis que têm o mesmo efeito. É uma questão de higiene”, explica Marlene Burle, de 43 anos, proprietária de um salão de manicure na Vila Mariana. Há pelo menos 6 meses o salão utiliza a técnica das luvas descartáveis, que segundo Marlene, é mais eficiente e higiênica.

Na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, a tendência também foi abandonar a água para fazer as unhas. “As manicures fizeram um curso e descobriram que deixar o pé ou as mãos de molho faz mal para a unha. Se a cliente tem alguma micose ou fungo, a situação pode se agravar ou até mesmo transmitir para a manicure e para outras clientes”, conta Rosenalva Santos Conceição, de 32 anos, gerente do salão. As manicures também passaram a utilizar luvas e toalhas descartáveis para trabalhar. “Todas tomaram vacinas contra a hepatite e passaram a tomar alguns cuidados. Afinal, cortam a pele das clientes.”

As manicures podem tomar a vacina contra a hepatite gratuitamente desde 2004 no Brasil.



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