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Obama pede novo começo
No Egito, presidente dos EUA propõe ‘recomeço’ nas relações entre Washington e o Islã
Gustavo Chacra
Com um apelo para um novo começo nas relações entre os EUA e o mundo islâmico, o presidente Barack Obama propôs no Egito uma aliança com os muçulmanos para trabalhar juntos contra o extremismo radical e pela paz no Oriente Médio e na Ásia Central.
Em discurso na Universidade do Cairo, ele defendeu um diálogo “baseado no interesse e no respeito mútuo, e na verdade de que os EUA e o islã não precisam competir. Eles se misturam e dividem princípios comuns. Princípios de Justiça e de progresso; de tolerância e de dignidade para todos os seres humanos”.
“Nós não fomos ao Afeganistão por opção. Fomos por necessidade. Sejamos claros, a Al-Qaeda matou 3.000 pessoas inocentes naquele dia”, afirmou Obama. Citando o alcorão, o líder americano afirmou que “aquele que mata um inocente, é como se tivesse matado toda a humanidade”. Sobre o Iraque, fez um mea-culpa ao dizer que foi “uma guerra por opção” dos americanos, apesar de ele não ter dúvida de que os iraquianos estão melhores hoje do que na época de Saddam Hussein. Segundo Obama, “os eventos no Iraque lembraram aos americanos da necessidade de usar diplomacia e construir um consenso internacional para resolver os problemas sempre que possível'.
No caso afegão, o presidente assegurou que não pretende manter as tropas no país para sempre e se comprometeu retirar suas tropas do Iraque até agosto de 2012.
Ao falar sobre o conflito entre israelenses e palestinos, Obama reforçou os laços históricos e culturais com Israel, afirmando que “esta ligação é inquebrável”.
Obama descreveu a importância de os judeus terem o seu Estado, por causa do Holocausto. Mas, segundo o presidente, é indiscutível que os palestinos, “por mais de 60 anos, enfrentam a dor do deslocamento. Muitos esperam em campos de refugiados na Cisjordânia, Faixa de Gaza e territórios vizinhos por uma vida e uma segurança que eles nunca puderam viver. Eles enfrentam humilhações diárias - grandes e pequenas - que ocorrem com a ocupação. Portanto, sejamos claros: a situação dos palestinos é intolerável. Os EUA não virarão as suas costas para as aspirações legítimas palestinas de ter dignidade, oportunidade e um Estado”.
Discurso aprovado
No mundo islâmico, o discurso de Obama foi interpretado como um sinal de melhora na posição de Washington, mesmo entre tradicionais desafetos dos EUA.
Na Faixa de Gaza, Fawzi Barhoum, principal porta-voz do Hamas - grupo considerado terrorista pelos EUA -, saudou a “mudança de tom”. No entanto, palestinos teriam sentido falta de uma menção à recente ofensiva de Israel em Gaza, disse Barhoum.
A facção rival do Hamas, Fatah, mostrou-se mais receptiva diante do apelo aos muçulmanos de Obama. “A parte do discurso sobre a questão palestina é um importante passo para um novo começo”, disse Nabil Abu Rdeneh, porta-voz da Autoridade Palestina, comandada pelo Fatah.
No Líbano, os líderes do Hezbollah disseram não ter assistido o discurso. No entanto, a TV do grupo xiita, Al-Manar, transmitiu ao vivo o pronunciamento de Obama, qualificado pelo âncora da rede de “histórico”.
Obama viajou ontem à Alemanha, para uma breve visita que terá como ponto central passagens por Dresden e pelo campo de concentração de Buchenwald, símbolos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e do nazismo.
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