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Velocidade estava errada, afirma jornal
Publicação francesa atribui informação a responsável por investigação
Daniel Gonzales e Eduardo Reina
O Airbus A330 que realizava a rota Rio-Paris na noite de domingo viajava em “velocidade errada”. A revelação feita pelo jornal francês Le Monde teria como fontes autoridades ligadas à investigação e foi, ao menos em parte, confirmada em nota oficial pelo Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA), o órgão que vai investigar o acidente. A falha teria sido detectada quando o avião efetuava a travessia de uma tempestade.
O diário norte-americano Wall Street Journal também levantou, ontem, a hipótese de os indicadores de velocidade do jato estarem defeituosos, porque os pilotos aparentemente teriam aumentado a velocidade ao penetrar na área de turbulência, em vez de diminui-la, conforme investigadores.
As informações se somam a todas as explicações já aventadas para tentar explicar a razão pela qual o voo AF 447 teve seu percurso interrompido sobre o Oceano Atlântico. A reportagem do Le Monde não esclarece se a velocidade da aeronave no momento da queda seria superior ou inferior à ideal. Ainda segundo o texto, a Airbus distribuiria “nota técnica” na qual recomendaria às companhias que possuem A330 o respeito às instruções do manual da aeronave, o que não aconteceu. A mesma informação aparece no WSJ.
O BEA, contudo, publicou uma nota oficial na qual indicou, de forma implícita, que a informação do Le Monde pode estar correta. Segundo o texto, “neste momento da investigação” foi constatada, a partir da análise das mensagens automáticas, “a incoerência das diferentes velocidades medidas”. Além disso, os peritos confirmaram “a presença nas proximidades do avião de importantes células convectivas características de regiões equatoriais”. Traduzindo: mau tempo e tempestade.
Ação comum
Modificar a velocidade do jato numa turbulência é considerada uma ação básica na aviação. É a primeira coisa a se fazer em uma zona de tempestade, como a região do voo 477. Se assemelha, por exemplo, ao motorista que desacelera ao dirigir em uma estrada esburacada. Mas, no céu, ao baixar a velocidade do jato em zona turbulenta, o avião sofre mais com as intempéries climáticas, principalmente os fortes ventos. Só não se pode baixar demais e chegar ao ponto “stol”, quando não há sustentação e a baixa potência do motor faz a aeronave “estolar”, no jargão aeroviário, ou fazer cair o avião com a cauda voltada para baixo. Andrei Netto,
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