| |
Mil rezam por desaparecidos
Ato ecumênico na Igreja da Candelária, no Rio, reuniu parentes e amigos dos passageiros
Fabiana Cimieri
Cerca de mil pessoas participaram ontem do ato ecumênico em memória das 228 vítimas do acidente com o Airbus, na Igreja da Candelária, centro do Rio. O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, representando o presidente Nicolas Sarkozy, apresentou “ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao povo brasileiro os pêsames da França”.
Em discurso emocionado, no altar, ele comentou que todas as autoridades presentes tinham amigos no voo. “Normalmente o caminho Paris - Rio é um caminho de alegria. Vim para lhes dizer que em ambos os lados do Atlântico a dor é a mesma”, disse.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, em tom emocionado, lembrou que perdeu o seu chefe de gabinete, Marcelo Parente. “Quando soube que falaria durante a missa, fiquei na dúvida se deveria falar como prefeito ou amigo muito próximo de uma das pessoas acometidas pela tragédia. A dor é de todos, mas muito mais intensa nas famílias e amigos que perderam alguém”, disse.
Para a mãe de Marcelo, Marieta Parente, ainda é difícil acreditar na morte do filho: “A esperança é a última que morre, sem dúvida acredito num milagre”. O pai do quarto na hipotético linha sucessória de um trono no Brasil, Pedro Luiz de Orleans e Bragança, Antonio de Orleans e Bragança, é menos otimista. “A gente sempre tem fé, mas estamos prontos para o pior”, disse ele.
Segundo o príncipe, o filho passou uma semana maravilhosa com a família no Brasil. Foram a Petrópolis, jogaram golfe e toda a família foi se despedir de Pedro Luiz, que morava na Europa.
A Air France alugou três ônibus para trazer os familiares das vítimas para o culto, que reuniu representantes de diversas religiões. No início do ato, foram executados os hinos da França e do Brasil. O representante de cada uma das religiões presentes fez uma pequena homilia. O clima era de comoção dos parentes e muitos funcionários da Air France, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Aeronáutica foram prestar solidariedade.
Sem esperança
Mais cedo, em Paris, a companhia aérea Air France comunicou oficialmente às famílias de passageiros europeus a morte de todos os 228 desaparecidos. A informação foi dada antes de a Aeronáutica brasileira afirmar , no início da noite de ontem, que os destroços recolhidos no Oceano Atlântico não eram do Airbus.
O “fim das esperanças” foi informado pelo diretor-presidente da companhia, Pierre-Henri Gourgeon, e pelo presidente do Conselho de Administração da Air France, Jean-Cyril Spinetta, aos parentes que se concentravam no centro de crise montado pelo governo francês no Aeroporto Rossy- Charles de Gaulle.
A conclusão da companhia aérea foi baseada no fato de que não houve amerissagem (pouso do avião na água). Em ambas as hipóteses sobre a maneira como o Airbus caiu no Oceano Atlântico, considera-se inevitável a morte de todos os passageiros. Segundo os representantes da Air France, o fato de destroços terem sido localizados pelas Forças Armadas indicavam que ou o aparelho se partiu em voo ou colidiu intacto contra a água.
|