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Sexta-feira, 5 junho de 2009   edições anteriores
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  Rinite piora em dias frios

Pesquisa mostra que 33% dos entrevistados pioram da doença no mês de junho e 35% em julho

HUMBERTO MAIA JUNIOR, humberto.maia@grupoestado.com.br

Pesquisa inédita divulgada nesta semana durante o XIX Congresso Internacional de Otorrinolaringologia, realizado em São Paulo, comprovou estatisticamente, a ideia de que a rinite alérgica piora em junho e julho. A partir da pergunta, “em quais meses os sintomas da rinite atingem o pior nível?”, 33% responderam junho e, 35%, julho.

A pesquisa, chamada Allergies in Latin America (Alergias na América Latina), foi feita em oito países da região. Os dados se referem apenas ao Brasil, onde foram ouvidos 285 adultos e 123 crianças no ano passado.

O alergista e otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, João Mello Junior, disse que, nessa época do ano, as pessoas entram mais em contato com os fatores que provocam alergia - principalmente o ácaro. “As roupas de frio ficam guardadas no armário o ano inteiro acumulando poeira. Quando bate o frio, a pessoa tem de usá-los e acaba se expondo”, diz Mello Junior.

Um segundo motivo é que, no frio, as pessoas tendem a ficar mais em locais fechados - que podem ser empoeirados. “Também facilita a contaminação pelo vírus da gripe.” E o terceiro fator é que, nos meses de junho e julho, a umidade cai - aumentando a concentração de poluentes no ar - outro alérgeno.

Mello Junior diz que o frio pode aumentar os sintomas - como aumento e escorrimento da secreção nasal - mas não são causa da rinite alérgica. Ele explica que ninguém é alérgico ao frio. A alergia é a reação exagerada do corpo a agentes como ácaro, poeira, fumaça, insetos ou fungos.

A rinite pode ser sazonal (quando os sintomas aparecem por determinado alérgeno que surge em época específica do ano), ou perene (quando persiste o ano inteiro). No Brasil, cerca de 60% sofrem de rinite sazonal.

A fotógrafa Bruna Zacharias, de 25 anos, diz que sofre de rinite o ano todo - mas os sintomas pioram no inverno. O caso dela é grave: é alérgica a 11 substâncias - ácaro, fumaça de cigarro, poluição, pelo de cães e gatos, pólen de flor, inseto... “Só não sou alérgica a grama”, diz.

A lista de sintomas é quase que tão grande quanto a de alérgenos. “Primeiro o nariz tranca (entupido), depois coça. Daí olho irrita, a garganta coça... o ouvido também.” Espirros, coriza? “Sim. É horrível.” Segundo a pesquisa, os sintomas que mais incomodam são coceira nasal (43%), congestão nasal (cerca de 37%), espirros em série (29%), nariz escorrendo (25%) e coceira nos olhos (22%). Para 39% dos brasileiros, o sintomas são intoleráveis.

Para não entrar nessa última estatística, Bruna encara qualquer tratamento para afastar os sintomas. Já tomou vários antialérgicos, sprays nasais da classe dos corticosteroides e medicamentos homeopáticos. “É um incômodo tomar remédio. Mas os sintomas me irritam.”



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