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Jovem era da Gaviões
Fábio Mazzitelli
A causa da morte do corintiano Clayton Ferreira de Souza, de 27 anos, foi traumatismo crânioencefálico. Por trás da definição da polícia científica, um rosto deformado por causa das pancadas dos torcedores rivais e um corpo saqueado, provavelmente pelas mesmas pessoas que cometeram o crime.
“Levaram tudo do meu irmão, ficou como um bicho atropelado na rua. Está todo deformado, só de meia e cueca. Foi um animal que fez isso. Só animal para espancar uma pessoa até a morte”, revolta-se o irmão de Clayton, Amarildo José de Souza, de 36 anos.
Clayton de Souza era o caçula de sete irmãos. Um deles palmeirense, os demais corintianos. Só Clayton era fanático.
Segundo o irmão Amarildo, Clayton era membro da organizada Gaviões da Fiel e sócio-torcedor do Corinthians. Ele trabalhava como promotor de vendas em um supermercado.
“Vivia para isso: trabalhar e ir para o jogo. Era apaixonado pelo Corinthians, mas nunca foi de briga”, diz o amigo Anderson Roberto Pontes, 29 anos.
Morador da Vila Industrial, bairro do extremo leste da capital, perto da divisa com Santo André, vivia em uma casa com a mãe e dois irmãos. Também é lembrado pela família como uma pessoa tranquila, do tipo que “nunca ficou discutindo por causa do futebol no meio da rua”. Anteontem, por volta das 17h30, quando saiu de casa para o jogo, despediu-se de maneira trivial: “tchau, mãe, tô indo”
Na manhã de ontem, como não havia voltado nem era possível o contato pelo celular (fora de área, desligado), a família começou a busca pela delegacia e pelo hospital da região.
À tarde, já no IML Central de Pinheiros, zona oeste, coube ao irmão Amarildo ver a foto do corpo deformado e dar o recado à mãe. “Vi o olho e vi que era o meu irmão”, afirma Amarildo. “Só não levaram a meia porque não devem ter conseguido arrancar. Bando de ordinários.”
Para parentes e amigos de Clayton, se houve emboscada, foi da torcida do Vasco. Revoltada com a tragédia, a família pensa em levar o caso à Justiça. “Penso em processar o Corinthians, a Gaviões, o Estado. Quero entrar na Justiça. Não vai ficar assim”, diz Amarildo.
“Como não teve segurança na Marginal? Como esses ônibus (do Vasco) chegaram lá?”, pergunta o amigo Anderson.
Clayton namorava há dois anos e estava noivo. A aliança, assim como o celular e as roupas dele, não foi encontrada com o corpo.
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