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Todos contra!
Proposta de torcida única não agrada cartolas e jogadores
ALEX SABINO, alex.sabino@grupoestado.com.br
Após a briga entre torcedores que resultou na morte do corintiano Clayton Ferreira de Souza, o promotor Paulo Castilho voltou com a ideia de apenas uma torcida presente em clássicos e jogos decisivos.
“É a única saída”, disse ele, no dia seguinte ao tumulto que teve um ônibus queimado e oito feridos após o empate entre Corinthians e Vasco.
No início do ano, o ministro do Esporte, Orlando Silva, havia apresentado a mesma proposta.
Mas no mundo do futebol, ninguém está convencido de que essa é a “única saída”, como disse Castilho. Pelo contrário. Entre dirigentes, jogadores, ex-jogadores e integrantes de torcidas organizadas, não existe apoio à medida planejada pelo promotor.
“Uma torcida só não é espetáculo. Temos de conversar de forma mais atenta sobre esse assunto. Vou falar com ele (Castilho)”, disse o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo.
O cartola esteve ontem à noite no Morumbi em reunião dos mandatários dos quatro grandes clubes do Estado. A questão da violência foi incluída na pauta de discussões do Super G-4. Mas ninguém se entusiasma com o jogo de torcida única.
“O São Paulo é contra. Nossa proposta continua a mesma: 10% de ingressos para os visitantes”, disse o presidente do Tricolor, Juvenal Juvêncio.
A medida também não agradou a quem está envolvido na decisão da Copa do Brasil, que começa daqui a duas semanas.
“É uma coisa ruim porque vai ter corintiano querendo ver o jogo em Porto Alegre e torcedor do Inter querendo ir ao Pacaembu”, afirmou o volante Cristian, do Corinthians, reconhecendo que a situação está chegando ao limite.
Caso de polícia
Parte interessada no assunto, já que podem ter o acesso restrito, as principais organizadas dos grandes clubes também não gostaram. “É horrível. Por que uma torcida só? A responsabilidade de proteger os torcedores é das autoridades”, reclama Thiago Pereira da Silva, vice-presidente da Independente, maior organizada do São Paulo, refletindo a opinião de outras organizadas.
Ex-jogadores como Pepe, segundo maior artilheiro da história do Santos, receberam a proposta com espanto: “Clássico com uma torcida só não tem sabor. O problema é ter mais policiamento dentro e fora do estádio. É isso o que vai resolver.”
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