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Vendas das micro caem 9,9%
Apesar da queda em abril, em relação ao mesmo mês de 2008, setor continua otimista
PAULO DARCIE, paulo.darcie@grupoestado.com.br
As micro e pequenas empresas paulistas tiveram, de acordo com os resultados obtidos pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), mais um mês de queda de faturamento: a média foi 9,9% menor do que a apurada em abril de 2008.
O recuo, segundo o economista do Sebrae, Pedro João Gonçalves, não é motivo para desespero. “O ano passado foi um ano muito aquecido para as MPEs. A queda de abril já não é tão acentuada como foi em meses anteriores; e vale lembrar que este abril teve dois dias úteis a menos do que o abril anterior”, afirma Gonçalves. “Dá para enxergar que o pior passou”, completa. Na comparação entre janeiro de 2008 com igual período de 2009 houve uma baixa de 16,5%, o pior mês desde outubro. Em fevereiro, a defasagem com relação ao mesmo mês em 2008 foi de 14,4%, e em março o número chegou a 9%.
Por regiões, a que mais sentiu e puxou a queda, com defasagem de 14,8% na média do faturamento de MPEs, foi o ABC. No interior do Estado a retração foi de 4,9%, na capital foi de 13,2% e na região metropolitana, de 14%.
O impacto no ABC se deve, principalmente, à queda de 19,2% no faturamento médio da micro e pequena indústria, puxado pela baixa procura por bens de consumo duráveis e máquinas e equipamentos. “Indústrias intermediárias devem levar mais tempo para se recuperar”, afirma Gonçalves.
Segundo o diretor do departamento de MPEs da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) Milton Bogus, isso acontece porque, além de depender do desempenho da grande indústria, as pequenas estão sofrendo com uma crise de confiança no mercado de financiamentos. “Falta crédito para o capital de giro. Os bancos facilitaram o financiamento para a pessoa física, mas para a pequena está difícil”, diz ele. “Já há uma recuperação da demanda, mas também muita dificuldade para descontar duplicatas.”
No comércio, a queda de faturamento foi de 11,2%. “No comércio de bens de menor valor a recuperação já é mais evidente, pois as vendas não dependem tanto do crédito e a renda do trabalhador não foi muito afetada. Já as atividades que dependem mais de financiamento para capital de giro e do crédito do consumidor, a recuperação é mais lenta.”
Otimismo
Apesar das quedas no faturamento desde outubro, o otimismo entre os micro e pequenos empresários continua em alta. A pesquisa do Sebrae, realizada em maio, mostrou que 46% dos donos MPEs esperam aumento no faturamento da empresa nos próximos seis meses. Em abril eram 44%. Também subiu, de 42% em abril para 45% em maio, a proporção de empresários que acreditam na melhora do nível de atividade econômica nos próximos seis meses.
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