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Ele conquistou as profundezas
Submarino robô dos EUA chega à região mais profunda dos oceanos, a quase 11 mil metros
Nereus, um submarino robô de US$ 8 milhões, acaba de alcançar o ponto mais profundo do oceano, a 11 mil metros, o chamado Challenger Deep, na Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico.
O submarino (batizado em homenagem ao deus marinho dos gregos) tinha como missão trazer imagens, amostras e dados que permitam aos cientistas explorar o fundo do mar à distância.
Para tanto, Nereus chegou a profundidades duas vezes maiores do que as atingidas por submarinos convencionais, e suportou pressões mil vezes maiores às da superfície terrestre, mais próximas das registradas em planetas como Vênus.
A fossa, localizada nas proximidades da ilha de Guam, tem profundidade 2 km superior se comparada à altitude do Monte Everest. O submarino desceu a nada menos de 10.902 metros.
Fibra ótica
Nereus é operado pelos cientistas à distância, a bordo de um navio, com a ajuda de cabos de fibra ótica que permitem que ele desça a grandes profundidades e seja fácil de manobrar.
Ele também pode ser colocado em modo automático e navegar livremente. “A “Fossa das Marianas é a parte conhecida mais profunda do oceano. Alcançar profundidades tão extremas nos obrigou a muitos desafios técnicos. O local está praticamente inexplorado. Estou seguro de que Nereus nos permitirá fazer muitas descobertas”, disse ao jornal espanhol El Mundo Andy Bowen, pesquisador do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI, em inglês).
Façanha
Durante a expedição, que começou no último domingo e durou nove horas, os dois homens passaram apenas 20 minutos no fundo do oceano - tempo suficiente para registrar a profundidade local em 10.916 metros. Em 1995, o submarino robô japonês Kaiko foi o primeiro veículo não tripulado a visitar o local.
Atualmente, os aparelhos mais aptos a descer a grandes profundidades chegam a uma média de 6.500 metros, o que permite aos cientistas explorar 95% do fundo do mar. “Com um robô como este, nós agora podemos virtualmente explorar qualquer parte do oceano”, disse Bowen à rede BBC,
A região que compreende Challenge Deep só foi avistada antes por duas outras embarcações.
Pioneiros
A façanha do Nereus começou a ser construída há 50 anos. Em janeiro de 1960, o cientista Jacques Piccard e seu colega Don Walsh fizeram a primeira aproximação tripulada ao local, a bordo do batiscafo suíço Trieste.
Foi, então, uma aventura sem precedentes que chegou a ser equiparada depois à chegada do homem à Lua, em 1969, pelos astronautas americanos.
A embarcação era composta por uma esfera de aço de dois metros de diâmetro, ocupada pelos dois tripulantes e pendurada em um tanque de petróleo gigante, projetado para permitir uma boa flutuação.
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