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Quinta-feira, 4 junho de 2009   edições anteriores
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  Para agência francesa, avião não tinha problemas

Andrei Netto, Paris

O arsenal de hipóteses em torno da tragédia do voo AF 447 tem, desde ontem, uma dúvida a menos. Em seu primeiro pronunciamento desde o desaparecimento do avião, o Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA) da França afirmou ontem que o Airbus A330-220 estava em perfeitas condições técnicas antes de decolar do Rio de Janeiro com destino a Paris, na noite do domingo. A informação é a primeira certeza de uma investigação que se anuncia longa e complexa - e que pode resultar na ausência de respostas.

O esperado pronunciamento de Paul-Louis Arslanidan, diretor do BEA, a quem caberá a coordenação-geral da investigação, aconteceu no final da manhã, no aeroporto de Le Bourget, próximo a Paris. Questionado sobre eventuais indícios de problemas antes da decolagem, no Aeroporto Internacional do Galeão-Tom Jobim, o perito - a maior autoridade europeia no tema - sentenciou: “Nada leva a crer que o aparelho tivesse algum problema ao decolar”.

Arslanidan se recusou a comentar todas as hipóteses levantadas, no Brasil e na França, para explicar as causas do desastre, o pior da história da aviação civil do país. “Nós estamos diante de um quebra-cabeças. Não sabemos nem sequer a hora exata do acidente”, lembrou, não descartando a possibilidade de que a investigação seja incapaz de encontrar uma “conclusão suficiente”.

Em silêncio desde o desaparecimento, a BEA já trabalha na investigação há 72 horas. Quatro equipes foram formadas, com 20 experts do escritório, além de 30 especialistas deslocados pela Airbus, a fabricante, e pela Air France, a responsável pela manutenção do aparelho. Sobre os indícios revelados pelas mensagens automáticas - e publicados pelo JT ontem -, Arslanidan afirmou que “o essencial de tudo o que se tem dito é provavelmente verdadeiro”.

Detalhes da trajetória do voo - como a suposta manutenção dos 35 mil pés de altitude durante a travessia do Atlântico, 2 mil pés a menos que o previsto no plano de voo - vêm sendo analisados pelos especialistas.



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