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Mancha de óleo descarta explosão do avião, diz Jobim
Aviões da FAB identificaram duas trilhas de destroços distantes 136km
Vannildo Mendes e Isabel Sobral
A presença de manchas de óleo identificadas por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) numa extensão de 20 km afastaram ontem a hipótese de explosão no ar do Airbus A330 da Air France, que caiu no litoral brasileiro com 228 pessoas a bordo, a caminho de Paris. A informação é do ministro da Defesa, Nelson Jobim. Com isso, fica mais remota a suspeita de que a aeronave possa ter sido alvo de terroristas, como veicularam alguns meios de comunicação franceses. A hipótese foi descartada.
Segundo o ministro, o Brasil não tem recursos técnicos, submarinos ou sonares potentes o suficiente para localizar a caixa-preta do avião, que pode estar numa profundidade de 2 a 3 mil metros de profundidade. A tarefa de busca ficará a cargo do governo francês, ao qual compete a responsabilidade pelo esclarecimento das causas do acidente, conforme tratado internacional de aviação.
Os aviões da FAB identificaram ontem duas trilhas principais de destroços, distantes 136 km uma da outra. Há uma mais próxima de Fernando de Noronha e outra do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. A operação montada pelo governo para a localização de corpos e recuperação de objetos que possam ajudar nas investigações vai traçar um raio de 200 quilômetros entre as duas trilhas para concentrar as buscas.
Um dos objetivos centrais do trabalho é localizar a caixa-preta da aeronave. Jobim ressaltou “a extrema importância da caixa-preta para esclarecer as causas da queda do avião” e análise dos momentos finais vividos pela tripulação. A área de busca fica a uma distância de cerca de 1.200 km do Recife, o equivalente ao trajeto entre Rio e Brasília.
Os destroços serão removidos inicialmente para uma base em Fernando de Noronha, a pouco mais de 200 km da região em que provavelmente caiu o avião. De lá o material será levado para o Recife. Jobim informou que tudo que interessar à investigação das causas do acidente será entregue ao governo francês. Entre os destroços encontrados nas duas trilhas estão uma peça metálica de 7 metros de diâmetro, provavelmente da asa, dez objetos de tamanhos diversos e alguns outros de metal.
O ministro descartou a possibilidade de encontrar sobreviventes e disse que o resgate de corpos será praticamente impossível. “Lembremos que o acidente foi na costa de Recife”, observou Jobim, numa referência à incidência de tubarões na região.
A Aeronáutica e a Marinha informaram que o espaçamento dos objetos encontrados vai dizer se o Airbus A330 da Air France despencou verticalmente, se a aeronave se espatifou ao bater na água ou ainda se ela se desintegrou no ar enquanto caía.
Nenhuma hipótese está afastada, com exceção de atentado.
Na análise da posição dos objetos, engenheiros e técnicos vão levar em conta a velocidade e a direção das correntes marinhas para definir se eles caíram juntos ou fragmentados em pontos diferentes. Outro grupo vai verificar as condições meteorológicas na ocasião do acidente, quando a região enfrentava uma tempestade.
ENTENDA O CASO
31 DE MAIO
19h29 - voo decola do Rio de Janeiro com destino a Paris
22h33 - tripulação faz contato de voz com controle aéreo brasileiro
23h14 - mensagens eletrônicas informam sobre pane no avião
23h20 - tripulação não estabelece contato com a torre de comando de Dacar, como previsto
1º DE JUNHO
2h30 - são acionadas as buscas
2 DE JUNHO
1h - avião R-99 da FAB identifica um conjunto de materiais metálicos e não metálicos no mar
5h30 - avião C-130 da FAB avista óleo no mar
6h49 - avião Hércules da FAB identifica uma poltrona
12h30 - avião Hércules da FAB avista destroços metálicos e não metálicos
3 DE JUNHO
3h40 - Aeronáutica afirma ter encontrado vários objetos, entre eles uma peça de sete metros de diâmetro, além de uma mancha de óleo com 20 km
11h - Navio Grajaú chega ao local e começa busca em raio de 200 km
PERGUNTAS
A ROTA É PERIGOSA?
Não, apesar da instabilidade meteorológica dessa região. Este foi o primeiro acidente grave em 70 anos de operação comercial
RAIO DERRUBA AVIÃO?
É praticamente impossível. Os aviões comerciais possuem equipamentos que os protegem contra as descargas elétricas
HOUVE DESPRESSURIZAÇÃO? É possível. Isso, aliás, foi informado pela mensagem eletrônica do avião. Despressurização é a perda da pressão interna quando está em grandes altitudes.Podem ter ocorrido 2 tipos de despressurização com o voo: programada ou explosiva
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