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Quinta-feira, 4 junho de 2009   edições anteriores
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  'Programa começou a ser criticado por uma falha'

PIGUE-PONGUE - IARA PRADO, EDUCADORA RESPONSÁVEL PELO LER E ESCREVER

Fábio Mazzitelli

Responsável pela implantação do Ler e Escrever tanto na Prefeitura de São Paulo como no governo do Estado, a educadora Iara Glória Areias Prado chorou ontem ao falar dos erros que determinaram a exclusão de seis livros do programa, que para ela supre deficiências na formação dos professores. Ao final da entrevista, realizada ontem na sede da Secretaria Estadual da Educação, disse ter ficado abalada por causa de críticas ao programa que havia lido na internet no dia anterior.

Como avalia o que ocorreu?Foi muito triste. O programa começou a ser criticado por um erro, não direi que não (...). Tem um livro totalmente inadequado, que é o “Dez...”. Aquilo é um livro adulto. Então, foi um erro. Erramos. Os outros foram inadequações, realmente. O livro de piadas... As crianças amam piadas. Quando você erra um primeiro, tem que ter um olhar muito mais rigoroso.

O programa sai arranhado?

O programa vai bem, os professores trabalham, é um programa difícil. A gente supre a universidade, que não dá na formação inicial o que os professores precisariam ter para saber ensinar a ler e escrever e os livros representam uma parte estrutural do programa. Porque os alunos são filhos de pais que não são leitores, que não têm os livros. Então, na sala de aula, a gente tem que substituir aquilo que não tem em casa, botando uma diversidade muito grande.

Opções menos conservadoras atraem mais os alunos do que os livros infantis clássicos?

A gente precisaria ter um professor muito bem informado para trabalhar com os textos. Você pega o Tim Burton, com a história do relacionamento entre máquina e robô que dá um liquidificador, as crianças acham o máximo. Precisa trabalhar isso dentro da escola. O Programa Ler e Escrever é um programa de formação em serviço dos professores. Esse que é o “x” da questão.

Qual piada preconceituosa há em uma obra devolvida?

Não é imprópria, é piada de português. É imprópria nesse sentido. Porque desrespeita os nossos amigos portugueses. Aí tem uma discussão maior: qual é a função da piada para as crianças e como ela tem que ser trabalhada? É um ótimo momento para você trabalhar preconceito. Os meninos amam piada. Daqui a pouco vai sobrar só conto de fada para meninos. Você precisa sensibilizá-los no universo masculino.



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