| |
Pressa causou erro em livros
Idealizadora do Ler e Escrever admite correria e secretário diz que obras não foram lidas até o final
Fábio Mazzitelli, fabio.mazzitelli@grupoestado.com.br
Mãe do Ler e Escrever, programa criado para melhorar a alfabetização das crianças de 6 a 10 anos no início do ensino fundamental, a educadora Iara Prado disse ontem que os erros na seleção dos livros ocorreram porque o governo teve “pressa” para colocá-los nas escolas da rede estadual, que reúne mais de 5 mil colégios e cerca de 5 milhões de alunos. O secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, admitiu que os livros “não foram lidos na íntegra”.
Dos 818 títulos comprados para crianças do 1º ao 4º ano do fundamental, seis foram excluídos do programa por inadequação à faixa etária ou conteúdo preconceituoso. Quatro destas obras seguirão nas escolas, redirecionadas para uso de alunos mais velhos, em salas de leitura de colégios de ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (antigo supletivo).
Duas obras excluídas do programa, por outro lado, foram consideradas completamente inadequadas: os livros “Um campeonato de piadas”, de conteúdo supostamente preconceituoso, e “Dez na área, um na banheira e ninguém no gol”, quadrinhos que contém palavrões com conotação sexual e alusão ao crime organizado.
Responsável pela implantação do programa, Iara Prado afirma que a aquisição e distribuição dos livros paradidáticos do Ler e Escrever, de apoio ao trabalho pedagógico, durou cerca de um ano, tempo que deve saltar para “dois anos a dois anos e meio” com a mudança no processo de seleção que será adotada depois das falhas. Antes de ser adquirido, o livro passará pelo crivo de um especialista responsável por ler a obra.
“Existe uma coisa que é dramática para quem está no Executivo: o tempo da duração do mandato Executivo. Você está dentro disso e tem que cumprir para implantar um programa e os procedimentos. Erramos nesses seis (títulos) pela pressa de ter os livros dentro da sala”, disse Iara Prado.
Em defesa do programa, a Secretaria Estadual da Educação abriu ao público uma mostra dos 812 títulos que restaram no Ler e Escrever. A exposição foi organizada na sede da pasta, na Praça da República, região central da capital.
Os 818 livros do Ler e Escrever custaram R$ 16,7 milhões. Foram gastos R$ 149 mil com as seis obras retiradas do programa e R$ 53 mil com as duas excluídas.
O secretário Paulo Renato Souza promete punir os responsáveis após sindicância aberta em razão dos erros. Os resultado devem sair em 15 dias. Ele defende que as duas obras consideradas inadequadas para uso escolar sejam devolvidas às editoras para troca por outros títulos. As editoras não se manifestaram sobre essa possibilidade.
Colaborou Carolina Freitas
Serviço A exposição dos 812 livros do Programa Ler e Escrever é realizada na sede da Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República, região central da capital. A mostra fica aberta ao público para consulta das 9h às 18h, por duas semanas. A entrada é gratuita.
|