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Tenda vai abrigar moradores de rua
Estrutura está sendo montada no Parque Dom Pedro
Felipe Oda, felipe.oda@grupoestado.com.br
A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social está construindo, no Parque Dom Pedro II, no centro da cidade, um “espaço de convivência” para os moradores de rua. O local deverá ficar pronto “em até 15 dias”, de acordo com a assessoria da pasta.
A criação do espaço foi anunciada meses após a secretaria fechar os albergues São Francisco, no Glicério, e Jacareí, na Bela Vista - ambos localizados na região central, e na semana em que os termômetros na capital registraram as temperaturas mais baixas do ano.
O centro será uma tenda de aproximadamente 100 metros quadrados, que funcionará 24h por dia, onde a população de rua poderá participar de “atividades lúdicas”, como assistir à TV, jogar, lavar roupa, comer, tomar banho e dormir. Monitores e educadores acompanharão os moradores. Seis banheiros químicos e um carro para emergência fazem parte da infraestrutura do local.
Ao contrário dos albergues, os interessados em utilizar os serviços do centro não precisarão preencher fichas, nem serão obrigados a tomar banho ou se separar do animal de estimação.
No local não haverá restrição quanto a horários, consumo de bebidas alcoólicas e a presença de bichos. “A falta de regras só confirma a precariedade do projeto. É uma medida paliativa que não resolverá o problema da população de rua”, afirma Anderson Lopes Miranda, de 33 anos, coordenador do Movimento Nacional da População de Rua.
Segundo a secretaria, o espaço é uma “porta de entrada” para os moradores de rua aos serviços sociais e de saúde. “Isso não é um projeto sério. Eles (Prefeitura) estão cobrindo o problema dos moradores de rua com um ‘tendão’”, diz Miranda. Outra falha apontada pelo representante do movimento é a incerteza de duração do projeto. “Até quando essa tenda ficará no parque? Amanhã ela fecha e as pessoas vão para onde? Serão atendidas por quem?”. A secretaria não informou por quanto tempo o centro funcionará.
Miranda afirma que a tenda só foi montada pela falta dos centros comunitários, albergues e campanhas destinadas ao amparo da população de rua. “Prometeram centros comunitários 24h que atendessem a população. Montaram uma barraca. A ideia (da tenda) só funcionará se as pessoas forem realmente encaminhadas para os serviços adequados de saúde e assistência social”.
O centro foi instalado no Parque Dom Pedro II, pois a região tem a maior concentração de moradores de rua na cidade, segundo pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), e pela proximidade com a AMA da Sé, que oferece atendimento psiquiátrico 24h.
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