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Quinta-feira, 4 junho de 2009   edições anteriores
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  Famílias temem ser alvo de golpes

Para elas, divulgar nomes dos passageiros pode atrair falsários, como no acidente da Gol em 2006

Pedro Dantas, Rio

Famílias que aguardam notícias do voo 447, da Air France, se manifestaram contrários à divulgação da lista de passageiros por medo de virarem alvos de golpes, a exemplo do que aconteceu com parentes das vítimas do acidente com o Boeing 737-800 da Gol em 2006. A informação foi dada ontem pelo advogado Marco Túlio Moreno Marques, que perdeu os pais, José Gregório, de 72 anos, e Maria Thereza Moreno, de 69, no acidente da Air France.

“Todos se lembram que na época do acidente da Gol oportunistas usaram nomes das pessoas mortas para fazer compras e abrir financiamentos”, afirmou o advogado. As famílias estão no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca.

Na manhã de ontem, esse grupo criou uma comissão de 12 pessoas para acompanhar todos os trâmites das operações de busca pelo A330 da Air France. A primeira reivindicação dos parentes é enviar um grupo deles para o Cindacta 3, em Recife, onde está montada a base das operações. O objetivo é levantar todos os detalhes sobre o resgate. “Estas pessoas representarão neste momento os interesses dos familiares dessas pessoas neste infeliz acidente”, disse Maarten Van Sluijs, irmão da passageira Adriana van Sluijs, que viajava a trabalho pela Petrobrás.

Parte deles embarca para o Recife hoje para acompanhar a chegada dos primeiros destroços da aeronave. Isso deve demorar no mínimo três dias.

À noite, porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou nota desmentindo a composição dessa comissão. Segundo a agência, os parentes dos passageiros do voo solicitaram à assessoria de comunicação social da Anac que informasse à imprensa que não existe comissão formada para representá-los e que nenhuma pessoa ou entidade está autorizada a falar em nome das famílias.

Na manhã de ontem, a ideia de viajar até o Recife dividia os familiares. “Eu não vejo essa necessidade de ir a Recife. Não vai adiantar nada, pois não temos acesso aos locais de resgate. A previsão da Marinha é que o navio demore três dias para chegar com os destroços”, afirmou Moreno Marques.

A pedagoga Mariana Carvalho Alarcão de Paes Loureiro, de 27 anos, disse que parte do grupo acreditava que “a ansiedade dos familiares poderia prejudicar as operações”. Ela acompanhava ontem a família da turismóloga Adriana Moreira Marques, de 27, que ia à Europa pela primeira vez. Iria a Portugal, encontrar os tios.

No entanto, a vontade da maioria era ir até o local acompanhar a chegada dos destroços. “Esse é o desejo de quase a totalidade das famílias. Ninguém pode dizer que não há sobreviventes. Meu filho tinha treinamento para acidentes em plataformas de exploração de petróleo. Se ele teve uma chance de viver, aproveitou”, declarou o militar aposentado Nelson Faria Marinho, cujo filho Nelson Marinho, de 40 anos, embarcou no voo 447 a trabalho para uma empresa italiana de exploração de petróleo, que o enviaria para Angola.



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