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Que belo negócio!
Peixe pagou salários, cedeu jogadores e depois dispensou Bolaños
Alex Sabino, alex.sabino@grupoestado.com.br
O Santos já fez negócios ruins em seus 97 anos de história. A passagem de Luís Bolaños merece lugar de honra nessa galeria. O jogador, que ficou quatro meses no clube, custou R$ 360 mil de salários. Em troca dele, porcentagens de duas revelações das categorias de base foram entregues. E o Peixe ainda facilitou a venda de parte de um titular do time de Mancini.
A diretoria forçou a barra com o empresário Delcir Sonda para que contratasse o equatoriano e o colocasse na Vila Belmiro. Bolaños havia despontado na Copa Libertadores do ano passado pela LDU, do Equador. Pressionado pela falta de reforços na parceria feita com o Santos, Sonda topou pagar cerca de R$ 6 milhões pelo atacante em janeiro.
Em troca, ele admitiu ter recebido 25% dos direitos sobre o meia Alan Patrick, um dos destaques das categorias de base (já tinha 25% dos direitos sobre o jogador) e 25% do atacante André, artilheiro santista na última Copa São Paulo.
A diretoria colaborou com o empresário e aceitou ainda vender 25% dos direitos sobre Paulo Henrique. O Santos tinha apenas 70% do jogador que fez dois gols na vitória sobre o Corinthians, domingo. Os outros 30% pertencem ao próprio meia. Atualmente o Peixe tem apenas 45%.
Bolaños ficou quatro meses no clube ganhando R$ 90 mil mensais e foi dispensado. Disputou apenas nove partidas e não fez nenhum gol. Chamou mais a atenção pelo jeito tímido, quase depressivo entre os colegas, do que pelo futebol. Reclamava sentir saudades do Equador. O Peixe chegou a trazer sua noiva de Quito para a Baixada, na tentativa de melhorar o astral do atacante. Ele se casou no Consulado do Equador em São Paulo. Mas isso não melhorou seu desempenho em campo. Mancini perdeu a paciência e disse a ele não ter interesse em aproveitá-lo na equipe.
Na semana passada, Bolaños foi apresentado como reforço do Internacional para a disputa do Campeonato Brasileiro. Sonda é torcedor do Colorado e tem direitos sobre D’Alessandro, Nilmar, Taison e Walter.
E agora?
Quando se concretizou a saída de jogador, dirigentes santistas procuraram pessoas do Grupo Sonda. Queriam renegociar a questão das porcentagens cedidas dos atletas da base. Ouviram como resposta: “Foi o Santos que não quis mais o Bolaños.” E ficou por isso mesmo.
O presidente Marcelo Teixeira pretende cobrar de Sonda um substituto para o equatoriano. A esperança é quando a janela para transferências internacionais se abrir. Mas não vai encontrar o empresário muito disposto a fazer pesados investimentos.
“Desde a troca do César Sampaio com o Palmeiras pelo Ranielli e Serginho Fraldinha (em 1991), o Santos não faz um negócio tão ruim”, desabafou um integrante da diretoria.
O JT entrou em contato com o diretor de futebol do Peixe, Adílson Durante Filho. Ao ouvir a pergunta sobre Bolaños, pediu: “Estou no meio de uma conversa. Você pode retornar a ligação em 15 minutos?” Depois disso, não atendeu mais o telefone.
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