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Terça-feira, 2 junho de 2009   edições anteriores
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  'A Fazenda' de Britto quase vai para o brejo

A estreia do programa, na noite de domingo, teve um apresentador nervoso e um elenco fraco

Julio Maria, julio.maria@grupoestado.com.br

Foi aos poucos, de fininho, que a emissora do bispo Edir Macedo começou a arquitetar sua versão brasileira do reality show A Fazenda. Guardou tudo o que podia até a noite de domingo, quando colocou sua maior aposta no ar. O formato é o de um Big Brother Brasil rural, com algumas adaptações. O paredão se chamará Tá na Roça e o líder da semana será o ‘fazendeiro’ da semana. As pessoas ficarão confinadas por três meses e o vencedor sairá da roça com R$ 1 milhão nos bolsos. Como entretenimento, é mais do que viável. Como produto comercial com potencial para trazer bons anunciantes, também. Mas, se tudo seguir o clima da estreia, a pérola da Record pode rolar montanha abaixo.

Britto Jr. fez uma apresentação nervosa. Ao chamar os concorrentes, falava sem a descontração que aprendeu a ter nas manhãs do programa Hoje em Dia. Burocrático nas perguntas, recebia de volta respostas frias e evasivas. Como um Pedro Bial sertanejo, terá de rebolar para dar graça a um elenco difícil nesses primeiros dias de programa. Depois de duas semanas, os barracos entre os participantes, espera a direção, já serão naturais.

O formato da estreia cansou e, não por acaso, A Fazenda, com média de 16 pontos, não ameaçou o Fantástico, que se manteve com 24. Rodrigo Carelli, diretor experiente que fez maravilhas na MTV, preferiu apostar em blocões grandes e sem respiro. Assim que o concorrente era anunciado, uma porteira se abria para ele entrar em uma carroça ou no lombo de um cavalo. Aí, falava rapidamente sobre seus defeitos (instruído, claro, para dar pimenta à atração) e via um vídeo com o depoimento de um familiar. Chorava, limpava as lágrimas quando elas lhe caíam pelo rosto e sorria. Então, Britto Jr. pedia para ele adivinhar o próximo concorrente, baseado em vídeos misteriosos.

E, assim, tudo começava de novo. Sem refresco ao telespectador, como uma banda tocando ou algo parecido, a fórmula cansativa pode ter feito muita gente mudar de canal.

O elenco é outro risco em um primeiro momento. O mais conhecido, Dado Dolabella, deve render polêmica. Mas, por muitas vezes, bateu saudades da articulação verbal dos integrantes do BBB. Um ator chamado Theo Becker começou falando que só acorda em horários em que a combinação de horas com minutos resulte no número oito. Ou seja - se é que vale a pena se estender sobre isso -, ele só acorda às seis horas e dois minutos, ou sete e um, ou oito horas mesmo. O rapaz, há de se reconhecer, tentou ser simpático.

As mulheres ignoraram que iam para uma fazenda em Itu e colocaram seus melhores vestidos. Uma delas disse que os porquinhos iam gostar de vê-las assim.



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