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Poesia, agora, se faz na internet
Encontramos 5 poetas que, em vez de colocar seus escritos no papel, fazem poesia em blogs
Gilberto Amendola, gilberto.amendola@grupoestado.com.br
Quem poderia discordar de Mário Quintana quando, no início da década de 80, ele declarou em entrevista que “a poesia era uma maneira de falar sozinho”? Naquele tempo, os poetas ainda não vislumbravam um lugar onde nem o mais solitário dos falantes estaria, de fato, livre de ouvintes e interlocutores. Hoje, a poesia e seus adeptos encontraram a internet. É nos blogs que o gênero respira novos ares.
A reportagem do JT foi encontrar cinco novos poetas e escritores, ainda sem o primeiro livro publicado, na Mercearia São Pedro, uma espécie de bar literário da Vila Madalena. Ao redor de um notebook (e copos de cerveja e pastéis), Luciana Pennah, de 33 anos; Fernanda Vasconcellos, de 36; Analu Andrigueti, de 31; Juliana Amato, de 21; e Gustavo Vinagre, de 24, mostraram seus respectivos blogs: Sorriso de Medusa (sorrisodemedusa.wordpress.com); Contos de Fábrica (contosdefabrica.blogspot.com); A Matadora de Orquídeas (amatadoradeorquideas.wordpress.com); Medeia Quer Cachaça (julianamato.blogspot.com) e Marfim Cariado(marfimcariado.blogspot.com).
Para o grupo, os blogs ajudam a vencer barreiras e a timidez de mostrar alguns escritos. “Acho que agora dá para tirar aquelas coisas que ficavam escondidas, que a gente tinha insegurança de mostrar. Na internet, eu não tenho pudor. Às vezes, coloco poemas que não sei se estão prontos”, diz Analu. “Para mim, é a mesma coisa. Não sei se em um livro eu me sentiria tão à vontade. Talvez tivesse mais rigor”, fala Gustavo.
Com os blogs, os poetas também deixaram de ser seres de outro mundo, os esquisitos da turma - e a poesia, um tipo de experiência restrita aos poucos leitores de sempre. “O mais valioso é que os blogs acabam criando uma comunidade, novas amizades. Daqui, nascem novos projetos”, comenta Fernanda.
Os cinco poetas daquela mesa de bar estão construindo uma obra (virtual e concreta) que passeia por diversos gêneros. Curiosamente, um certo erotismo está presente na maioria dos blogs e poemas. “Não faço só poesia erótica, eu também faço poesia erótica”, diferencia Analu. “Acho que, neste sentido, levo alguma vantagem na hora de capturar um leitor novo. Por outro lado, eu vou descobrindo o tanto de hipocrisia que existe por aí...”
Os poetas da internet dizem que já não existe tanta resistência ao novo modelo. Escrever um poema no Word pode ser tão válido e romântico quanto em guardanapos. “Quase todos os escritores (conhecidos) têm blogs também. Acho que esse preconceito já é menor”, fala Luciana.
Nenhum deles ganha dinheiro com poesia, mas todos levam a sério as atualizações semanais de seus blogs. “Um blog, seja ele de poesia ou não, é uma coisa que acompanha a gente o tempo todo”, diz Juliana.
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