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  Donativos vendidos por R$ 1

Roupas e alimentos foram apreendidos em brechó. Empresário foi preso em flagrante

Júlio Castro

Cerca de 330 mil peças de roupas e alimentos, doados para os atingidos pelo desastre da enchente em novembro e dezembro do ano passado, em Santa Catarina, foram apreendidos em um galpão, anexo a um brechó, na cidade de Rio Negrinho, na região norte catarinense. O empresário e dono do brechó, Ismael Evelson Ratzkob, 37 anos, foi preso em flagrante.

Em depoimento, ele informou à polícia que pegava os produtos em Ilhota, uma das cidades mais atingidas pelo desastre, e levava para um depósito particular onde vendia peças para a população por até R$ 1. Ratzkob teve prisão temporária decretada pela Justiça. Foram doados ao Estado cerca de 4,5 mil toneladas de alimentos e mil toneladas de roupas.

“Isso nos causa uma grande indignação. Pessoas inescrupulosas se aproveitando das boas intenções de quem doou e da desgraça alheia para proveito próprio é revoltante. A polícia já abriu inquérito para que se identifiquem os culpados”, afirmou o secretário de Justiça e Cidadania de Santa Catarina Justiniano Pedroso. O diretor estadual de Defesa Civil, major Márcio Luz Alves defende que os culpados sejam punidos exemplarmente.

“A polícia tem que saber qualificar este tipo de crime. Infelizmente, em situações de desastre e caos, a gente não consegue identificar quem é ou não honesto”, ponderou o oficial.

A Polícia Civil de Rio Negrinho, através do inquérito, vai apurar se houve participação de funcionários da prefeitura de Ilhota na liberação das doações. Segundo o delegado da cidade, Procópio Batista Neto, poderá ocorrer o indiciamento de outras pessoas por corrupção, crimes tributáveis e falsidade ideológica. Entre os suspeitos do desvio de donativos, estão alguns funcionários públicos.

Ratzkob declarou que buscava o material em um galpão da Prefeitura de Ilhota, cidade do Vale do Rio Itajaí. Dos 135 mortos no Estado por conta do desastre natural, 47 eram do município.

O acusado disse que foram feitas pelo menos 10 viagens com um caminhão para transportar os produtos até Rio Negrinho. Ele acrescentou que o material era liberado pelos próprios funcionários da prefeitura. “Não vejo qualquer problema em revender. É sobra da enchente. Estas roupas e alimentos seriam enterrados ou jogados no lixo”, afirmou à polícia Ratzkob, acrescentando que tem documentos que comprovam a origem dos produtos.

Consternação

Em nota oficial, o prefeito de Ilhota, Ademar Felisky, afirmou que não tinha conhecimento do fato até a manhã de ontem e se disse “consternado” com a denúncia de supostas vendas de roupas e calçados provenientes das doações recebidas pelo município. “Todas as providências para apurar a denúncia já estão sendo tomadas e um inquérito administrativo está sendo aberto”, disse.

O prefeito Ademar Felisky ainda salienta que “todos os procedimentos envolvendo a logística do recebimento e entrega das doações de alimentos e roupas foram amparados por procedimentos legais e de segurança, garantido a total integridade ao processo.”

Por fim, Felisky lamentou a venda das roupas recebidas e agradeceu a todos os doadores, “que demonstraram sua solidariedade em um momento tão difícil”.

OUTROS CASOS

14/12/2008


Voluntários e soldados são flagrados furtando roupas e mantimentos em um depósito de donativos às vítimas da enchente montado em Blumenau, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Eles foram vistos saindo com o carro carregado de produtos. Logo que os caminhões chegavam ao pavilhão da Vila Germânica, alguns soldados descarregavam os donativos. Outros experimentavam o material: os que serviam e tinham qualidade eram colocados dentro de mochilas. Entre os produtos levados, estavam roupas, tênis e até um sutiã

16/12/2008

O casal Rogério e Teresilda Longen é flagrado colocando mantimentos em um carro. Teresilda era voluntária de apoio aos flagelados. A funcionária de limpeza Fermina dos Santos, também flagrada, afirmou que levaria um par de tênis para a filha. Segundo a polícia, o casal foi autorizado por um funcionário do governo a levar os produtos para uma pessoa carente e Fermina não foi vista saindo com o tênis. Eles foram liberados pela Polícia Civil

16/12/2008

Em São Paulo, quatro funcionários da Defesa Civil da Prefeitura foram pegos em flagrante furtando alimentos que seriam encaminhados às vítimas das enchentes em Santa Catarina. O furto aconteceu no dia 8, no centro de triagem do Bom Retiro, na região central da capital. Na mesma data, a Prefeitura registrou um boletim de ocorrência contra os servidores flagrados. Um dos funcionários, que não era servidor de carreira, foi exonerado. Os demais foram afastados e estão respondendo a processo administrativo

09/01/2009

Cerca de 30 pessoas invadiram e saquearam em Ilhota, Santa Catarina, um galpão que estava sendo utilizado para armazenar as doações enviadas por todo o País para as vítimas das enchentes no Estado. A irmã de um ex-prefeito da cidade estaria entre os saqueadores. Houve tumulto. Acionada, a polícia controlou a confusão. Um boletim de ocorrência foi registrado, mas ninguém foi preso



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