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Terça-feira, 19 maio de 2009   edições anteriores
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  Roqueiros unidos por um palco

O projeto Cena Musical Independente escolheu 40 bandas e garantiu a elas shows e CD

Felipe Branco Cruz, felipe.cruz@grupoestado.com.br

Rômulo Ramazini, vocal da banda de metal Necrofobia, realizou no último sábado um de seus sonhos: tocar com o Sepultura. Os integrantes da banda de pop de Bauru, Papai Elefante, finalmente conseguiram gravar seu primeiro disco e o pessoal do Chavala Talhada, de Ribeirão Preto, está em estúdio gravando o deles. Já os paulistanos do Stop Play Moon foram ainda mais longe e realizaram uma mini-turnê pela Europa. O estilo e o sotaque deles são diferentes, mas todos conquistaram isso depois de participarem do Cena Musical Independente.

Entre mais de mil bandas inscritas, apenas quarenta foram selecionadas para se apresentarem em shows que aconteceram entre outubro e dezembro do ano passado nas cidades de Araçatuba, Bauru, Piracicaba e São Sebastião. Em cada cidade, dez bandas subiram ao palco. Ao final, a organização escolheu uma música de cada e, neste mês, lança quatro CDs com o som delas. Com tiragem limitada, os álbuns serão distribuídos gratuitamente pela prefeitura. “Nenhum desses grupos gravou trabalhos comercialmente. Esperamos que a coletânea ajude a carreira deles”, diz André Sturm, coordenador cultural do evento.

“Nossa banda tem mais de 15 anos. Nossas demos foram gravadas em fitas K7. Tudo que fizemos até hoje foi independente. Não temos ajuda financeira nenhuma”, diz Romazini, vocal do Necrofobia. “Agora fomos convidados para participar da Virada Cultural Paulista e dividir o palco com o Sepultura. Sempre fomos fãs deles.” Romazini, que se apresentou na edição de Araçatuba, disse que um dos momentos mais legais foi a interação com as outras bandas. “Recebemos tratamento de estrelas, como hotel, frigobar e até traslado de van”, brinca. No caso do pessoal da banda Papai Elefante, que se apresentou na edição de Bauru, o resultado foi ainda melhor. “Gravamos nosso disco com sete canções autorais”, diz Beto, vocalista do grupo. O CD deles já está nas lojas.

Além disso, em cada dia de shows, a organização convidou bandas conhecidas para trocar experiências. Entre os convidados estavam grupos como Nação Zumbi, Móveis Coloniais de Acaju, Cachorro Grande, Autoramas, Plebe Rude, Ludov e Vanguart. De Ribeirão Preto, o Chavala Talhada, que se apresentou na edição de Piracicaba, diz que a troca de experiências com essas bandas os ajudou a descobrir como é a interação dos artistas com as gravadoras. “Conversamos com o Cachorro Grande, que é gaúcho. Em Porto Alegre é diferente, o suporte do governo é ainda maior”, diz. “Morando no interior fica difícil viver de música.” O som do Chavala é samba, mas o nome é português. “Chavala Talhada em portugal significa uma menina muito bonita.”

Da capital, um dos representantes foi a banda Stop Play Moon. Eles se apresentaram na edição de São Sebastião. “Vamos fazer um ano de estrada e conseguimos realizar uma turnê no exterior. O ano passado deu para sobreviver de música. Este ano, com a crise, diminuíram os números de festivais.” Mesmo assim, cada integrante tem outro trabalho. “Eu sou fotógrafo, nossa vocalista, Geanine Marques é modelo e produtora de moda e o Ricardo Athayde é ilustrador.”

Infelizmente, não é tão simples conseguir os discos. Uma das propostas de André Strum, coordenador do evento, para facilitar a distribuição seria a publicação das músicas em MP3 no site da prefeitura. Enquanto isso não acontece, dá para conhecer um pouco mais de cada banda no endereço.



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