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Governo terá maioria na CPI
Com 8 das 11 vagas para aliados, governo quer ditar rumo na apuração de irregularidades na estatal
Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Vera Rosa
Para comandar o rumo das investigações, o governo orientou sua bancada no Senado a ‘aparelhar’ a CPI da Petrobrás. O Planalto quer fazer valer a maioria folgada e ‘tratorar’ a oposição na comissão que vai investigar supostas irregularidades na estatal e na Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Os partidos governistas terão 8 das 11 vagas de titular, cabendo à oposição só 3. O primeiro embate se dará em torno do comando da comissão. O presidente Lula deixou claro que quer um governista na presidência e outro na relatoria.
Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) foi primeiro a pedir vaga, após procurar o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Correligionários dizem que Renan será indicado. Líder do PT, Aloizio Mercadante (SP) também se escalou: “Vou trabalhar para que todos partidos, inclusive a oposição, escalem a seleção na CPI”.
Segundo o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), é “normal” que a oposição pleiteie a presidência ou a relatoria da comissão. Heráclito Fortes (DEM-PI) já pediu que Agripino o indique. O ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) também manifestou interesse em participar.
Diante do fato consumado da CPI, governistas descartam ideia da audiência pública para ouvir o presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli. O governo quer carimbar o PSDB como partido que age de olho em dividendos políticos, sem se importar em causar “instabilidade” à maior estatal do País, mesmo em momentos de crise.
A tática foi alinhavada na sexta-feira quando Lula - antes de embarcar para viagem a Arábia Saudita, China e Turquia - reuniu-se no Palácio da Alvorada com os ministros Franklin Martins (Comunicação Social) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais). Ficou acertado que o governo faria tudo para abortar CPI, mas não perderia o foco antitucano. O PSDB do governador José Serra - pré-candidato à sucessão de Lula -, deverá ser principal adversário do Planalto na eleição de 2010, provavelmente contra a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).
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