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Nestlé 'domina' leite na gestão Kassab
Empresa, que já atua no Leve-leite, vai assumir fornecimento para a merenda de escolas
Vitor Sorano, vitor.sorano@grupoestado.com.br
A gestão Gilberto Kassab (DEM) pretende comprar da Nestlé o leite em pó usado na merenda da rede de ensino municipal. Caso a estratégia se confirme, a empresa, que já é detentora da conta do Leve-leite (cerca de R$ 14 milhões mensais) concentrará os maiores contratos de fornecimento do produto a alunos da rede municipal de ensino.
A última fornecedora de leite da merenda - Comercial Milano do Brasil - é acusada pela Secretaria Municipal de Educação de entregar leite em pó “impróprio para consumo”. Um laudo, segundo a pasta, aponta contaminação por bacilo que gera diarreia, além de fragmentos de insetos. Há, ainda, soro de leite em excesso e proteína e caseína de menos.
A Milano diz estar tomando providências para recolher o produto e que se prontificou a efetuar a substituição do lote. A Nestlé afirma estar avaliando a viabilidade de atender à consulta feita pela Prefeitura. A secretaria diz que a multinacional não foi contratada, mas não confirmou se, caso isso ocorra, ela monopoliza o serviço.
O lote com problema foi comprado e entregue entre novembro e dezembro de 2008. A secretaria afirma que o produto não foi distribuído. Presidente do Conselho de Administração Escolar (CAE) desde março, Margarida Prado Genofre afirma não ter tomado conhecimento de reclamações relativas ao leite entregue nas escolas.
A interdição atingiu 400 toneladas de 600 adquiridas pela Prefeitura no final do ano passado. Segundo a secretaria, as 200 toneladas restantes - e com estoques existentes - permitiram manutenção do abastecimento na rede municipal.
A secretaria diz que, “ao que tudo indica”, essa foi a última aquisição de leite em pó da Milano. A empresa, porém, negocia leite com a Prefeitura pelo menos desde 2007, quando venceu a licitação para uma ata de registro de preços do produto. Esse tipo de contrato coloca a empresa como fornecedora do produto, pelo preço combinado, a qualquer setor da administração que tenha interesse em comprá-lo.
Leve-leite
A Nestlé arrematou a ata de registro de preços do Leve-leite - que tem consumo mensal estimado em 1,7 milhão de quilos - em dezembro. A ideia da Prefeitura é usar essa ata para adquirir também o leite em pó para a merenda. Embora ressalte que ainda não houve tal aquisição, a secretaria diz poder usá-la.
Kassab também contratou a multinacional para fornecer as fórmulas infantis Nestogeno 1 (R$ 22,30 o quilo) e Nestogeno 2 (R$ 19,15 o quilo) para as crianças de 0 a 6 meses e de 6 meses a 1 ano, respectivamente, tanto na merenda da rede de ensino como por meio do Leve-leite.
A Secretaria de Educação afirma que a mudança barateará o preço do produto (de R$ 8,60 pagos à Milano para R$ 8,22 pagos a Nestlé).
USO NA ELEIÇÃO
A utilização de latas do leite Ninho, produzido pela Nestlé, foi objeto de disputa judicial durante a eleição à Prefeitura em 2008.
O PT e a coligação de Marta Suplicy foram ao Ministério Público Eleitoral cobrando a retirada da imagem da propaganda de Gilberto Kassab (DEM), alegando exposição indevida de marca. Embora a logomarca não aparecesse de modo explícito, era possível distinguir a cor amarela da lata do Ninho.
A propaganda ainda se utilizava de jingle que fazia referência indireta à marca: “Mamãe me vê mais um pouquinho/daquele leite do rótulo/amarelinho”. A coligação de Kassab negou propaganda e disse que a aparição foi incidental, sendo que o objeto principal da propaganda era o serviço de entrega de leite a alunos da rede municipal de ensino.
A reclamação da coligação petista, porém, foi julgada improcedente em primeira instância pelo juiz Cláudio Luiz de Godoy.
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