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Terça-feira, 19 maio de 2009   edições anteriores
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  Australiano doa pele tatuada a museu

Quando morrer, Geoffrey Ostling quer que suas 62 tatuagens façam parte do Museu de Camberra

O australiano Geoffrey Ostling, de 62 anos, quer doar a própria pele tatuada a um museu ou galeria de arte no país quando morrer.

Ex-professor de história aposentado, Osteling começou a tatuar o corpo aos 42 anos, e considera as 62 tatuagens espalhadas pelo corpo “uma obra de arte”.

“Quando eu morrer, meu corpo vai junto, e não quero que todo o trabalho que tive seja enterrado comigo”, afirmou ele à rede BBC. O professor contou também que o museu nacional de Camberra já o questionou sobre se ele realmente consideraria fazer a doação.

Testamento

Ostling vai garantir a doação colocando a pele em seu testamento. Porém, o problema, segundo ele, “é que pode haver o interesse (do museu) agora, mas daqui há alguns anos, quando eu morrer, as pessoas na diretoria do museu podem não querer”, disse o professor, que começou a se tatuar após se aposentar.

A paixão do australiano por arte e flores hoje visível em todo seu corpo. São flores e plantas coloridas e variadas, nativas e estrangeiras, do pescoço aos pés. Mas também há espaço para imagens da ponte de Sydney e Opera House.

Ostling foi tatuado por artistas de várias partes do mundo, como italianos, neozelandeses e um brasileiro, e já gastou o equivalente cerca de R$ 70 mil em tatuagens.

“Fiz as folhas de eucalipto na parte direita da barriga dele”, disse Luciano Lima, que trabalha como tatuador em Sydney.

Ostling considera a tatuagem única. “Ela não é como cartões postais, que você vai escolhendo qualquer um. Foi tudo planejado”, afirmou ele.

O ex-professor explicou que esse tipo de tatuagem, cobrindo o corpo todo, pode levar de 15 a 20 anos para se completar. A dele, no entanto, vai levar ainda mais.

“Ainda tenho de acabar as tatuagens de um dos braços”, disse o australiano. “Não sei se quando acabar as que faltam, farei mais”.

Questionado sobre o motivo de tantas tatuagens, Ostling respondeu que “são como chocolate”. “Você faz uma e quer mais”, disse.

O tema da tatuagem do australiano é “todas as flores de um jardim de Sydney”.

Filme

A insólita decisão de Ostling (de doar a pele), já virou filme sobre anatomia. Segundo o diário Daily Telegraph, o especialista em taxidermia de Sydney, Sascha Smith, afirmou que seria um desafio conservar as tatuagens, mas que o processo não difere do usado na remoção da pele de um animal.



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