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Terça-feira, 19 maio de 2009   edições anteriores
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  44% mais morcegos com raiva

Animal passou a ser o principal vetor da doença, que matou duas pessoas em 2008 no País

Marcela Spinosa, marcela.spinosa@grupoestado.com.br

“O morcego age na surdina. Não dá para notar ele se aproximando. Quando vi, ele já tinha mordido meu tornozelo”, recorda o pastor Carlos dos Santos, de 46 anos. Ele pode ser uma das 19 pessoas agredidas pelo animal este ano na capital. O risco, principalmente para ele que não tomou a vacina antirrábica, é contrair raiva. O registro de morcegos infectados com o vírus no Estado cresceu 44% em um ano, segundo o Instituto Pasteur. Entre janeiro a abril deste ano foram 42 casos contra 29 em 2008.

“O fato de detectar esse índice (44%) é bom”, diz a diretora do Instituto Pasteur Neide Takaoka. “Significa que o município está atento ao problema. Queremos que haja uma vigilância em relação aos morcegos”, emenda.

A vigilância é importante porque o perfil epidemiológico da raiva entre humanos mudou no País, segundo o Ministério da Saúde. Até 2004, o principal transmissor da doença era o cão doméstico. Por conta do sucesso das campanhas para vacinação dos bichos o número de animais infectados diminuiu e os morcegos passaram a ser os principais vetores.

A raiva é uma doença transmitida por animais que não tem cura e mata depois de gerar um quadro de dor de cabeça, salivação excessiva, convulsões e mudança de comportamento. Ano passado, duas pessoas morreram no País após contrair a doença. Uma delas havia sido mordida por morcego e a outra por um macaco.

Segundo o subgerente do Centro de Controle de Zoonose (CCZ) de São Paulo Hildebrando Montenegro, a raiva pode se manifestar de duas formas. “Tem a raivosa, que deixa a pessoa agitada, agressiva e a paralítica, que paralisa os humanos e os animais.”

Até ontem, 19 pessoas haviam sido mordidas por morcegos no município, que concentra 40 das 160 espécies de morcegos. Ano passado, o índice chegou a 44. “O número pode ser maior porque muita gente é mordida e não toma a vacina”, diz Montenegro.

Segundo ele, a vacinação é importante para impedir a manifestação da doença. “A raiva não tem cura a partir do momento que os sintomas se manifestam porque, quando o vírus entra no organismo, ele tem um tempo para se multiplicar e atingir o sistema nervoso central. Durante esse período, se tomar o soro com os anticorpos e a vacina, é possível conter o vírus”, explica Montenegro.

Do total de agressões registradas na cidade, o maior índice (três) ficou com Itaim Paulista, na zona leste. O bairro é próximo ao de Cidade Tiradentes. Lá existe uma Área de Proteção Ambiental conhecida como Monte Sagrado devido a quantidade de fiéis que rezam à noite na mata. Entre eles, está a pastora Maria de Fátima de Lima, de 46 anos. Ela foi mordida por um morcego quando orava. “A dor é tão forte que parecia que tinha entrado um prego no pé.”

Por precaução, ela lavou o local com água e foi a uma unidade de saúde. A orientação para quem se deparar com um morcego é não manipulá-lo pois ele pode atacar. O certo é chamar o CCZ pelo telefone 156. Para evitar que fiéis entrem no ‘monte’, a CDHU, responsável pelo terreno, cercou a área e colocou faixas de orientação.



INFECÇÃO

42 MORCEGOS


analisados pelo Instituto Pasteur este ano no Estado de São Paulo estavam contaminados com o vírus da raiva, doença que mata e não tem cura

A DOENÇA O QUE É?

A raiva é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus, que acomete mamíferos, inclusive o homem

COMO É TRANSMITIDA?

Pelo vírus na saliva do animal infectado (mordedura, arranhadura e lambedura). Ainda existem as possibilidades, mais raras, de se contrair a doença por contato com saliva de um animal raivoso nos olhos, mucosas ou feridas. Principais transmissores são cães e gatos. O morcego é o principal responsável no ciclo silvestre

COMO TRATAR?

Não existe tratamento , mas deve-se tomar a vacina

QUAIS OS SINTOMAS?

Irritabilidade, espasmos, fotofobia, paralisia e coma entre outros

O QUE FAZER?

Não manipular o animal. Em caso de mordida, procure uma unidade de saúde e lavem com água e sabão a área atingida



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