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Terça-feira, 19 maio de 2009   edições anteriores
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  Acusado de estuprar enteada

Homem preso pela polícia nega ter violentado garota de 11 anos, que afirma ter sido obrigada a fazer sexo

Camilla Haddad e Daniela do Canto

A polícia prendeu no domingo à noite Valter Parisi, 46 anos, acusado de abusar sexualmente da enteada de 11 anos há pelo menos três anos. Parisi foi detido quando chegou na casa do pai biológico da vítima, na Rua Tanabi, em Perdizes, na zona oeste da capital. Em depoimento, o suspeito admitiu ter sentido prazer pela menina, mas negou tê-la estuprado.

A versão da menina é totalmente diferente. No 23º Distrito Policial (Perdizes), a criança contou ter sido obrigada a fazer sexo com o padrasto várias vezes e a se manter calada sob ameaça de morte. Na última sexta-feira, após a exibição de um programa de TV cujo tema foi pedofilia, a garota teria criado coragem e denunciado o padrasto para o pai, um autônomo de 34 anos.

Depois de ouvir o relato da filha, o autônomo pediu para Parisi ir até sua casa. Mas antes mesmo de atendê-lo chamou a Polícia Militar (PM) e contou o caso. Segundo policiais civis do 23º DP, a menina, o padrasto e a mãe viviam em uma casa simples e dormiam juntos em um quarto, no bairro de Sacomã, na zona sul. Em fevereiro, sem motivo aparente, a garota resolveu morar com o pai. Questionada, a mãe da garota, identificada como Aparecida, disse que jamais desconfiou dos abusos.

Ontem a Justiça decretou a prisão temporária de cinco dias de Parisi por atentado violento ao pudor e estupro. O homem foi levado para o 77º DP (Santa Cecília). Enquanto passava algemado até a viatura, Parisi disse que as ameaças a sua enteada foram feitas enquanto ele estava “nervoso”.

O acusado disse ainda que estava sendo assediado pela tia da enteada. “Foi a tia dela que fez ela fazer isso daí. Ela quer casar comigo e não sabe como.” Em depoimento, Parisi disse que sentia-se atraído pela menina desde quando ela era pequena, pois passava parte do tempo em casa, com ela.

A vítima foi levada para exames no Pronto-Socorro do Hospital São Camilo e de lá seguiu para o Hospital Pérola Byington, referência em atendimento da mulher.

A reportagem esteve na casa do pai da menina e uma mulher informou que ele não queria dar entrevistas e que todos estavam abalados com o caso.

SAIBA MAIS
AUMENTO DE CASOS


Nos últimos dois anos, aumentou em 30% o número de casos de abuso sexual de menores de idade registrados pelo programa Bem-Me-Quer, do Hospital Pérola Byington

VÍTIMAS

Um levantamento feito pela instituição mostra que o número de vítimas até 17 anos atendidas no programa passou de 1.363, em 2007, para 1.771, em 2008. O estudo mostra ainda que o abuso começa cedo. Das 2.330 vítimas atendidas no ano passado (incluindo as com mais de 17 anos), 1.103 tinham até 12 anos

ATENÇÃO ÀS CRIANÇAS

Especialistas recomendam atenção a sinais: sono perturbado e pesadelos, queda no rendimento escolar, voltar a fazer xixi na cama, medo inexplicável de ficar sozinho na presença de adultos, brincadeiras agressivas e comportamento sexual exacerbado



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