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Terça-feira, 19 maio de 2009   edições anteriores
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  Classe média descobre os blindados

Facilidades para a compra e índices de violência ‘democratizam’ veículos mais seguros

Felipe Oda, felipe.oda@grupoestado.com.br

O perfil do comprador brasileiro de veículos blindados foi ampliado. Antes restritos a uma pequena parcela da população, os blindados chegaram à classe média, que agora pode incluir a blindagem no parcelamento do veículo.

A queda dos preços e a facilidade para pagar e financiar são apontadas pela Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), como estímulos para classe média adquirir blindados. “Conseguimos atingir esse nicho de consumidores com financiamentos em até 36 vezes”, diz Fifo Anspach, vice-presidente da Abrablin.

Cerca de 1.800 carros foram vendidos no primeiro trimestre deste ano - o número mantém o ritmo de 2008, que terminou com quase 7 mil unidades blindadas vendidas, de acordo com a Abrablin.

Além das facilidades econômicas, o crescimento nas vendas também está ligado aos índices de criminalidade divulgados pela Secretaria de Segurança Pública. Nos três primeiros meses de 2009, o número de latrocínios (roubo seguidos de morte) aumentou 80% e o de roubos, 12,6% em relação ao mesmo período de 2008.

Depois de ser assaltada, a advogada Renata, de 28 anos, optou por um carro blindado. Foi incentivada pelas condições de pagamento. “O blindado foi inicialmente uma escolha pela segurança e depois pelo preço. Mas não teria condições de comprá-lo sem o financiamento”, afirma a advogada, que parcelou seu Honda Fit em 48 parcelas.

Para Anspach, os números do setor são reflexo de como a classe média passou a encarar a violência. “A segurança é um bem de consumo. Por isso, a classe média começou a comprar veículos blindados”, diz.

O preço médio do serviço é de R$ 48 mil, que garante o nível de proteção III A (contra todas as armas de mão até o calibre 44). O Toyota Corolla, que custa em média R$ 70 mil, é o carro mais blindado. “Troquei uma picape de luxo por um modelo mais em conta com blindagem”, afirma o dentista aposentado João, que trocou uma Santa Fé, da Hyundai, por um Astra, da Chevrolet.

Os homens são a maioria dos proprietários de blindados - 75%. A faixa etária do público masculino fica entre 40 e 49 anos, a maioria executivos ou empresários. “Antes, só as celebridades e os milionários tinham acesso ao produto”, diz Anspach.



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