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Pequenos driblam Cidade Limpa
Reportagem do JT acompanhou a autora do projeto, Regina Monteiro, em blitz pelas ruas
Luísa Alcalde, luisa.alcalde@grupoestado.com.br
Em vigor a 2 anos e 4 meses, a Lei Cidade Limpa vem sendo descumprida pelos pequenos estabelecimentos, entre eles até colégios. Placas e faixas anunciando promoções, que haviam sumido de fachadas comerciais quando a legislação começou a valer, podem ser vistas agora em toda a parte.
“Os grandes estão bonitinhos e se adequaram. Mas os pequenos estão atrevidos e colocando as manguinhas de fora”, disse na semana passada a diretora de Paisagem Urbana, Regina Monteiro, da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), que percorreu 19 quilômetros com a reportagem do JT no centro e zona sul, com sua inseparável câmera digital cor de rosa, e flagraram 15 estabelecimentos irregulares.
A blitz da Cidade Limpa começou na região central. Na Rua 25 de Março, uma irregularidade. E das grandes. Nos cálculos de Regina, o Shopping Saara deverá ser multado em R$ 50 mil. “Onde já se viu colocar letras garrafais no toldo? E essas placas com o nome do empreendimento?”
Na Rua Líbero Badaró, Regina ‘saca’ da bolsa de couro preta a digital rosa e começa a clicar entradas de estacionamentos com placas enormes de preços na porta. “Isso não pode”, reprovou.
Mais ilegalidades na Avenida Prestes Maia. Outros estacionamentos com placas para fora. Tem até funcionários no meio da rua segurando anúncios. “Essas placas tinham sumido e agora estão voltando com tudo.” A poucos metros dali, uma loja de bombas e equipamentos para piscinas colocou uma banheira na calçada para chamar a atenção dos clientes, o que também é proibido.
Na Rua São Caetano, elogia as fachadas “direitinhas”, mas, no fim da rua, critica o restaurante que pôs um placa anunciando o prato do dia. “Impressionante como as promoções estão vindo para fora”, observou.
Na Rua da Cantareira, outro elogio. “Olha, essa caprichou. Está tudo certinho. Vale foto”, diz, sobre a Casa dos Expositores. “E ainda arrumaram a fachada e pintaram com uma cor bonita.”
Ao ver a fachada do Shopping Santa Cruz, na zona sul, uma grata surpresa. “Olha como eles se adequaram certinho. Foram bastante multados no início, mas agora está ótimo”, disse. Nem o imenso painel de uma operadora de telefonia na entrada do shopping tirou os méritos. “Como está um metro para dentro, está ok”, diz.
Em Moema, na Alameda dos Maracatins, mais problemas. “Olha, o pufe foi parar na rua! Tá todo mundo vindo para o espaço público de novo”, disse sobre a ousadia de uma loja de móveis. Há uma sequência de irregularidades na região: imóveis para alugar com várias tabuletas, borracharias e lanchonetes com placas de preços na porta. Na Lanchonete Vera Cruz ela orienta o gerente, Fernando Santos. “Coloca a placa mais para dentro”, disse. “Pode deixar que amanhã não vai estar mais aí”, garantiu o gerente.
No final da blitz, subindo de carro pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, a “cereja do bolo”. Regina falava da invasão de faixas anunciando produtos e serviços, como acarajé e massagistas.
“Tá assim de faixas ‘compro milhas’ por aí”, dizia, quando foi surpreendida pela maior das irregularidades do dia: um balão gigante com propaganda do Colégio Integral Inaci, sobre um painel com fotos na fachada, e uma terceira placa com o nome da escola. “Assim não dá. Está tudo errado. Como é que essa coisa descarada não foi tirada daí? Esse troço ainda pode cair na cabeça de alguém”, disse, indignada.
CAMPEÃO EM IRREGULARIDADE
Colégio Integral
Inaci, na Av Brigadeiro Luiz Antonio, no centro, foi o estabelecimento que mais cometeu erros, ao colocar o balão e o painel, ambos virados para rua, o que é proibido pela Cidade Limpa
A arquiteta da Emurb Regina Monteiro realizou blitz educativa das 13 h às 15h no dia 12 de maio
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