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Terça-feira, 19 maio de 2009   edições anteriores
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  Quem quer dinheiro?

Alex Sabino

É tarefa inglória tentar descobrir o perfil de quem se arrisca na prova para agente Fifa. É possível encontrar diferentes idades e profissões. A maioria é homem, mas no último teste 11 mulheres tentaram e três foram aprovadas.

“Se você for analisar, grande parte é gente de fora do futebol. Tem até velhinha! O cara pensa que vai se dar bem. Acham que qualquer um pode ganhar milhões em 24 horas”, explica Robert, ex-meia de Santos, Atlético-MG, Grêmio e Guarani.

Os modelos são Juan Figer, Wagner Ribeiro e outros empresários que estão na mídia sempre intermediando transações milionárias. “Boa parte é de pessoas de diferentes áreas de atuação que pensam em colocar sua experiência nesse negócio chamado futebol. Idade varia entre 18 e 70 anos. Não tem como determinar... somos procurados por todo tipo de gente”, diz o consultor esportivo Nilson Ribeiro

E há os “jeitinhos”. Presidente ou dirigente de clube de futebol não pode ser agente Fifa, de acordo com o regulamento da entidade. Então, qual a saída?

“É simples. Colocar o irmão, a mulher, a tia, o papagaio... sei lá, qualquer um para fazer o teste e fazer os negócios que ele, que tem o clube, acerta mas não pode aparecer. Sempre tem como achar uma solução nesses casos. E na hora de fazer a grande transação internacional, há uma casta que controla tudo”, explica um agente Fifa conceituado no mercado brasileiro, mas que pede para ter o nome não revelado.

A “elite” é composta por Juan Figer, Jorge Machado, Wagner Ribeiro, Giuliano Bertolucci, Giuseppe Dioguardi... “esses e mais uns três ou quatro. Não passa disso”, completa Nilson.

Há alguns inclusive trabalhando no Brasil para os grandes empresários internacionais como Jorge Mendes, português que cuida das carreiras de Cristiano Ronaldo, Pepe e Quaresma. Estima-se que seus clientes valem 405 milhões (R$ 1,1 bilhão).

Muita grana!

“O pessoal chegando agora acha que é fácil trabalhar com futebol. Só porque tem celular no bolso, acha que é um. O segredo nesse negócio não é ter contato. É saber como transformar esse contato em dinheiro”, revela Giuseppe Dioguardi, agente brasileiro com escritório na Suíça e especializado em levar brasileiros para o Leste Europeu.

A briga maior entre os aspirantes a empresários acontece nas categorias de base. A cada jogo dos amadores é possível encontrar vários que ainda não têm a carteira de agente Fifa. Mas cobiçam ter um dia.

“O negócio é grana, companheiro. Grana! No início, o sujeito pode até dizer que pretende fazer inserção social, ajudar, essas coisas. Mas logo admite que está de olho na grana”, constata Nilson Ribeiro.



Pesos pesados

Jorge Mendes

Empresário de Cristiano Ronaldo. Seus jogadores estão avaliados em R$ 1,1 bilhão.

David Manasseh
Empresário de Peter Crouch. Jogadores avaliados em R$ 742 milhões.

WMG Management
Empresa que administra a carreira de Steven Gerrard.
Portfolio avaliado em R$ 686 milhões.

Marcelo Cuppari
Agente de Diego Milito. ‘Plantel’ avaliado em R$ 672 milhões.

Franko Vranjkovic
Cuida da carreira de Yoann Gourcuff. Seus atletas valem R$ 588 milhões.



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