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Terça-feira, 19 maio de 2009   edições anteriores
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  Aguentou pelo sonho

Tiago, atacante do Peixe, quase voltou para o Pará

Marcius Azevedo, marcius.azevedo@grupoestado.com.br

Tiago Alves sente muita saudade de casa, há três meses trocou o Remo e Belém por Santos e o alojamento da Vila Belmiro. Ainda não se acostumou. Mas o sonho de virar jogador é maior do que qualquer coisa para o garoto de 16 anos. “No começo foi ruim, aqui é muito frio. Bem diferente de Belém, que faz um calor danado”, comparou o atacante do time Sub-17 do Peixe. “Pensei em abandonar tudo e voltar.”

O responsável por segurá-lo foi o mesmo que o trouxe para o Santos: o empresário Paulo Eduardo. Foi ele que enviou um DVD para o Peixe no começo deste ano. “Eles gostaram e já me ofereceram um contrato como profissional”, revelou Tiago, que assinou até março de 2012.

“Não podia desistir porque estou no Santos. Então aguento firme. Agora está tudo bem.”

Saudade de peixe com açaí

Tiago se emociona ao lembrar da mãe, dona Antônia, que ficou em Vila Diamante, interior do Pará. “Fiquei para dar uma vida melhor a ela”, conta o garoto em tom de promessa. Ele perdeu o pai quando tinha três anos. “Ela colocava comida em casa.”

Dona Antônia é costureira, mas, segundo o filho, também é ótima cozinheira. “Adoro o peixe com açaí que ela faz.”

Em Santos, Tiago se vira com arroz e feijão, servido diariamente no alojamento do clube. A distância o garoto encurta pelo telefone. Mas nos últimos dois meses... “A chuva acabou com tudo lá, nada funciona direito.” O garoto até enviou uma carta para dona Antônia para falar das novidades em Santos. “Ela ainda não respondeu.” Tiago também conversa com o irmão Manoel, que mora em Vila Diamante, pela internet. “Minha mãe tem medo de computador, então fico sabendo das coisas por ele”, contou.

Em campo, Tiago vai para cima dos zagueiros. “Atacante preciso ser ousado para dar certo.”

E sonha em seguir os passos de Paulo Henrique Lima, o Ganso, seu conterrâneo, titular de Vágner Mancini. “É um espelho pra mim.”



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