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Berço do craque
São Cristóvão sonha um dia ser ajudado por sua mais importante ‘cria’
Vítor Marques, vitor.marques@grupoestado.com.br
Rio de Janeiro - O número 200 da Rua Figueira de Melo, em São Cristóvão, bairro industrial da Zona Norte do Rio de Janeiro, está se transformando em um rico museu sobre a vida de Ronaldo Luiz Nazário de Lima.
É que lá, na sede do São Cristóvão, estão itens importantes como a ficha feita quando o atacante chegou ao clube, em 1990, registros de jogos do Fenômeno na época - quando era chamado de Ronaldo Luiz e jogava com a camisa 11 do time mirim do São Cristóvão - e camisas assinadas pelo craque, além de muitas fotos e reportagens de jornal sobre a carreira do jogador.
“Mesmo não vindo aqui, o Ronaldo é o ídolo do São Cristóvão. Não temos mágoas nenhuma disso. E acredito que um dia ele irá nos ajudar da mesma maneira que o Romário está fazendo com o América”, disse ontem ao JT Renato Campos, diretor do São Cristóvão. “O quintal da minha casa era o campo do São Cristóvão. Vi muito o Fenômeno jogar aqui”, completou.
Renato Campos, que guarda tudo sobre o clube e sobre o Fenômeno, falou com o JT na sala de troféus do campeão carioca de 1928, principal glória do clube. Para ele, Ronaldo, eleito três vezes pela Fifa o melhor jogador do mundo, ajuda a manter viva a memória do São Cristóvão mesmo sem ir ao clube. “Vem muito jornalista aqui, inclusive estrangeiro. Eu até já perdi foto do Ronaldo pra caramba. Agora deixo tudo bem guardado.”
A última vez que Ronaldo, de 32 anos, esteve na sede do São Cristóvão foi há nove anos. “Hoje a vida dele ainda é muito agitada. Mas um dia, eu tenho certeza, ele irá dedicar um tempo ao São Cristóvão”, disse Campos.
Depois de se destacar no bairro de Bento Ribeiro, Ronaldo chegou ao São Cristóvão em 1990. Tinha 14 anos. O Fenômeno estreou pelo clube em 12 de agosto daquele ano, em um torneio mirim, contra um time chamado Tomazinho. Vitória de 5 a 2 do São Cristóvão, com três gols do futuro maior artilheiro dos Mundiais. “Ele sempre foi goleador.”
Antes de se transferir para o Cruzeiro, em 1992, Ronaldo atuou em 75 partidas pelos times de base do clube carioca, marcando um total de 44 gols. Na época, a transação entre São Cristóvão, empresários e Cruzeiro envolveu US$ 7, 5 mil.
A atual situação financeira do São Cristóvão, fundado em 1898, não foge à regra dos times pequenos. Na segunda divisão do Estadual desde 1995, o clube tem enfrentado dificuldades para voltar à elite carioca. “Hoje em dia é muito difícil competir com clubes de prefeitura.”
Os recursos do São Cristóvão vêm do clube social e do aluguel de espaço para eventos. O futebol profissional se paga com dificuldades. A segunda divisão do Estadual está prestes a começar.
Mas nem essas adversidades deixam Renato Campos menos otimista quanto ao futuro do clube. “Todo mundo gosta do São Cristóvão. É o segundo clube de todos os cariocas.”
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