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Terça-feira, 19 maio de 2009   edições anteriores
ECONOMIA
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  Moto sai da fábrica mas encalha na loja

Redução das alíquotas da Cofins ainda não fez efeito e lojistas reclamam da falta de crédito

Luciele Velluto, luciele.velluto@grupoestado.com.br

A redução da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para as motocicletas ainda não surtiu efeito no mercado de duas rodas como os revendedores esperavam. Apesar do aumento nas vendas da indústria, as concessionárias ainda reclamam do movimento fraco após um mês e meio de corte no imposto, principalmente por causa da dificuldade de o consumidor conseguir crédito no mercado.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) registrou alta de 26,2% das vendas em abril em relação a março. No entanto, este volume ainda é 16,2% inferior ao total comercializado no mesmo período de 2008.

Já no comércio, o desempenho foi outro. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) registrou queda de 9,08% nas vendas das lojas entre março e abril. A diferença se aprofunda na comparação de abril com o mesmo período do ano passado, que aponta as vendas 27,14% menores.

O presidente da Fenabrave, Sergio Reze, explica que a dificuldade está em aprovar a ficha cadastral dos interessados em comprar motocicletas. “Os bancos estão rigorosos e como o público depende do financiamento para comprar motos - 90% das vendas são financiadas - o mercado está sendo prejudicado”, comenta. “Acredito que o retorno das vendas do mercado como era no ano passado deve ser mais lento do que outros setores”, completa.

Para o gerente Antonio Pereira da Silva, da Brio Motos, revendedora oficial da Sundown Motos, o corte de juros não teve efeito nas vendas. “Os bancos estão mais exigentes, pedem entrada para a compra e houve redução do número de parcelas. Isso pesa muito nas vendas de um mercado que funciona a base de crédito”, diz.

Na busca por clientes, as lojas elevaram o desconto além dos 3% - cerca de R$ 180 a R$ 250 no preço final - repassados com a suspensão temporária da Confins, até o final de junho. “Estamos com promoções para atrair o consumidor além da redução de imposto. Para quem comprar à vista o preço é atrativo. Espero que a medida seja prolongada, como ocorreu com os carros”, afirma Sérgio Ricardo Santos, gerente da Comstar, revendedor oficial da Honda.



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