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Domingo, 17 maio de 2009   edições anteriores
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  Sorrindo de novo

Gugu quebra o silêncio e fala de família e da boa fase de seu ‘Domingo Legal’

ALINE NUNES, aline.nunes@grupoestado.com.br

Ele já foi por vezes razão de disputa entre Globo e SBT. Na década de 80, depois de apresentar por anos o semanal Viva a Noite na emissora de Silvio Santos, Gugu Liberato, 50 anos, acabou sondado pela Globo e não pensou duas vezes para aceitar o convite de Roberto Marinho. Mas Silvio não aceitou a derrota, fez uma proposta maior e lhe ofereceu a programação de domingo. Em 1993, Gugu se consolidava como o grande rival de Fausto Silva, à frente do Domingo Legal. Com o hit Pintinho Amarelinho, caiu na boca do povo, e novamente virou alvo da Globo, já que começou a bater no ibope do Domingão do Faustão. A sólida e boa fase de Gugu - em 2001, ele ficou mais de 40 semanas na liderança dos domingos - só não se estendeu por conta do escândalo do PCC, em 2003, quando o programa foi acusado de forjar uma entrevista com um integrante da facção. O assunto virou tabu para o apresentador.

Antes na liderança, Gugu passou a amargar o terceiro lugar da audiência. O apresentador continuou na atração e, discretamente, passou a tentar recuperar o prestígio perdido. Neste ano, finalmente, Gugu começou a colher os louros do esforço. Com o SBT apostando novamente no popular, o semanal teve a audiência alavancada. Nos últimos dois domingos, Gugu garantiu à emissora o segundo lugar no Ibope, com 14 e 13 pontos, respectivamente. Em entrevista concedida ao JT por e-mail, o apresentador quebrou o silêncio e falou sobre a boa fase do semanal, aposentadoria, rotina fora da TV. E negou que o Domingo Legal agora foque o tal estilo popular.

Mudança após o caso PCC

“Quero acreditar que essa boa fase do Domingo Legal seja resultado de um trabalho de direcionamento para um leque mais amplo. Nossos quadros, hoje, não são mais segmentados. Nós investimos em reportagens externas, o que não impede que novos quadros tenham cantores, atores e celebridades, como antigamente.”

Efeito ‘povão’ do SBT

“Quando nos reunimos para fazer a pauta do programa, nosso foco é a família e não o popular. O programa é visto por pais, filhos e avós de diferentes classes sociais.”

Formato

“Estamos com um formato ótimo, em que todas as semanas podemos ter novidades. Existem quadros fixos, mas as reportagens especiais e factuais oferecem variação. Acreditamos muito nesse estilo. É diferente da concorrência. Em Roma, por exemplo, chegamos a levantar uma investigação sobre os corpos de santos que não sofrem decomposição.”

Concorrência

“Concorrência não me incomoda. Sou um comunicador. Assisto a tudo, inclusive à concorrência. Essa é minha função. Mas, de tudo, prefiro os telejornais.”

Substituto de Silvio Santos

“Silvio Santos, assim como o Pelé, é insubstituível. Ele tem um carisma extraordinário, uma voz grave e clara, que não vejo em nenhum outro profissional. Eu acho que o telespectador não se cansa dele.”

Aposentadoria

“Nunca pensei em me aposentar. Mas hoje valorizo mais os momentos nos quais posso me dedicar à minha vida pessoal.”

Fora da TV

“É um cotidiano comum. Hoje, com três filhos, meu tempo é todo dedicado à família. As crianças estão numa fase de descobertas, exigem muita atenção. Longe do programa, gosto de ficar com eles. Nas folgas também gosto de ler, ver filmes, documentários...”

Aumentar a família

“A família já está com um tamanho bom (risos). Acho nobre a iniciativa de adotar, porém, nunca fizemos planos para isso. Acredito que, se isso acontecesse, seria como um ‘chamado do coração’.”

Religião

“Sou um homem religioso e gosto de estar em igrejas. Não digo que vou todas as semanas. Minha fé vem de dentro, faz parte da educação que tive dos meus pais e procuro passá-la para os meus filhos. Porém, viajar, como fiz na semana (da entrevista), e encontrar histórias como a de santos incorruptos (que encontrei em Roma) aguçam os sentimentos de fé.”

Silêncio para entrevistas

“Acho que herdei isso do meu pai. Eu sou um homem, realmente, muito reservado.”



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