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Domingo, 17 maio de 2009   edições anteriores
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  'Não faço piada com qualquer coisa'

Marceloo Adnet fala da fama, de seu 2º programa na MTV, e reclama do excesso de trabalho

GILBERTO AMENDOLA, gilberto.amendola@grupoestado.com.br

Marcelo Adnet, de 27 anos, embarcou em um redemoinho de trabalho. No momento, está envolvido em dois programas na televisão, um filme, duas peças de teatro e alguns comerciais. “É um paradoxo, né? A gente luta para chegar a uma situação como essa. Mas, por outro lado, eu não quero esse ritmo para mim. Preciso de tempo para me informar, saber quanto custa uma passagem de ônibus, ver o que está passando na televisão... Preciso de tempo para observar o mundo e me tornar um humorista e um ator melhor”, comenta a estrela da MTV. “Dá para trabalhar 18 horas e dormir quatro? Dá. Mas isso compromete a qualidade.”

A reportagem do JT também foi roubar um pouco do tempo de Adnet, em breve intervalo das gravações de seu novo programa, o Furfles MTV (que estreia no próximo sábado, dia 23), no Estádio Municipal Vereador José Ferez, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. O ator chegou dirigindo o próprio carro, depois de encarar uma ponte aérea (ele mora no Rio). Mesmo gripado, segurou o bom humor ao interpretar um juiz de futebol gay e um jogador. “O problema é a gripe. Para fazer humor, a gente precisa estar bem.”

- Adnet, quero fazer um perfil seu. Então, não leve a mal se eu fizer alguma pergunta que você já respondeu 500 vezes.

- Cara, sabe que eu já pensei em trazer fichas com respostas prontas? (Fazendo uma voz impostada) Como nasceu o ‘15 Minutos’? Bem, eu tenho uma fichinha aqui com a resposta...

Mas, felizmente, Adnet não tem respostas prontas. Sem cerimônia, confessa o desconforto com o excesso de trabalho e fala da fama. “Não mudei, meus amigos não mudaram. O que mudou foram as relações profissionais. Antes, eu chegava em um teste para um comercial, ficava três horas esperando e recebia R$ 10. Hoje, quando vou a um teste, as pessoas me recebem cheias de dedos...”

Adnet também não sofre com o assédio do público. “Eu tento ser simpático. Não faço tipo. Se estou num dia ruim, explico. Dia desses, tive um problema no Rio, estava indo registrar um boletim de ocorrência, e um espectador me abordou. Expliquei que não tinha tempo e estava a caminho da delegacia, numa boa.”

Ainda numa boa, Adnet fala sobre sua infância. “Eu não era o artista da família. Ao contrário... Tem tanto músico e artista em casa que eu queria fugir disso. Sério, eu me imaginava em um emprego careta, vestindo terno, de botão fechado, ar-condicionado e essas coisas. Não queria ser artista.”

É da sua fase adolescente que Adnet tirou o hit Furfles Feelings. “Eu estudava em um colégio de gente rica. Sofria até preconceito por morar no Humaitá, um bairro de classe média lá do Rio... Mas aquela era minha turma, eu saía com eles para a balada. O som que os playboys ouviam tinha essa coisa intensa, mas sem nenhum conteúdo, um furfles feelings.”

Quando teve que escolher uma faculdade, optou por Comunicação Social. “Eu estava meio perdido, Comunicação é uma escolha de quem está um pouco perdido, não é? Não sabia bem o que queria fazer. Cheguei a trabalhar como assessor de imprensa de um selo de música. Era um trabalho chato. Eu tinha uma vontade de ser criativo que não cabia ali.”

Mas foi na PUC-RJ que o ator começou a fazer teatro, mais especificamente um show de stand-up comedy, o Z.É. (que deve chegar a São Paulo em breve). “Daí, não larguei mais, comecei a andar com o pessoal do teatro e a perceber que era aquilo que eu queria da minha vida.” Mesmo com o sucesso da peça e de participações na televisão e no cinema, ele chegou à MTV meio que por acaso. “Fui divulgar o filme Pode Crer no Rock Gol. O pessoal gostou da minha participação e começamos a conversar sobre um programa. Daí chegamos ao 15 Minutos.”

O sucesso foi imediato e, claro, fez os olhos de outras emissoras crescerem. “Recebi duas propostas, mas não aceitei. Na MTV, tenho liberdade.”

Em seu programa, Adnet discorre sobre qualquer tema de forma bem-humorada. Será que ele é capaz de fazer graça com qualquer coisa? “Não acho que tudo seja alvo de piada. É delicado falar de religião e não faço piada com doenças, como câncer e aids. Não vejo vantagem nenhuma em rir disso. Não dá para ser irresponsável na TV”, argumenta. Adnet lembra de uma vez em que anunciou uma bala fictícia no seu programa, a Furfles. “Um cara me encontrou na rua e disse: ‘Adnet, já procurei essa bala em tudo que é supermercado e ainda não encontrei’.”

Ainda assim, o ator não pretende abandonar a comédia. “Já pensei em fazer alguma coisa mais social, mas não é a minha praia. Posso fazer coisas legais com o humor. O problema é que a gente acaba tendo problemas com bobagens... Se digo que a torcida do Flamengo só tem bundão, chove e-mails me detonando...”

O papo com o JT teve de acabar quando Adnet foi chamado para trocar o figurino e gravar mais algumas cenas do Furfles. “Nesse programa, vamos ter um tema, um cenário por semana. O que estamos gravando agora fala de futebol. Além dos quadros, mostraremos os bastidores de criação de uma piada. Vamos revelar até aquela conversa de bar que resulta em novas ideias.”



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