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'Pai' do dossiê Furnas reaparece
Nilton Monteiro, que virou alvo de ações ao divulgar lista de caixa 2, exibe novo documento
Personagem ligado a dossiês, o lobista Nilton Monteiro ganhou notoriedade em 2005 como encarregado da divulgação da “lista de Furnas”, com supostas doações do caixa dois da estatal nas eleições de 2002 - a maioria delas para políticos do PSDB e do DEM. Processado, ele submergiu.
Agora, às vésperas do ano eleitoral, o lobista reapareceu. Na quinta passada, após se reunir com advogados que fizeram a ponte com o ex-ministro José Dirceu (PT), Monteiro desembarcou em Brasília, carimbou papéis em cartório, visitou o gabinete da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e fez chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Ministério Público Federal “documentos” com objetivo de ressuscitar a “lista de Furnas”. Um dos papeis gera incredulidade: é um recibo de caixa dois.
Monteiro é investigado pela polícia e responde a 200 processos. Nas últimas semanas, Dirceu se encontrou com parceiros de Monteiro. Os dois negam aliança.
Na quinta-feira, o JT acompanhou Monteiro em Brasília. Vindo de Belo Horizonte, ele queria falar com o ministro Joaquim Barbosa, do STF. Antes, foi a cartório autenticar documento. Ele não foi atendido pelo ministro, mas deixou no gabinete uma cópia.
O lobista quer convencer Barbosa de que o caso Furnas teria conexão com o “valerioduto mineiro”, esquema montado em 2006 pelo empresário Marcos Valério para irrigar a campanha de Eduardo Azeredo (PSDB), então candidato tucano ao governo de Minas.
O documento levado por ele seria recibo assinado em 20 de setembro de 2002 pelo atual presidente do DEM, Rodrigo Maia. Nele, Maia atestaria recebimento de R$ 200 mil de Dimas Toledo, ex-diretor de Engenharia de Furnas, dos quais R$ 50 mil teriam abastecido a campanha do hoje governador José Serra à Presidência. Maia nega. “É fraude. É um desqualificado”. Serra não comentou.
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