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Para 'desidratar' CPI, governo busca DEM
Sem conseguir convencer senadores a tirarem assinaturas, Planalto agora aposta em ‘acordão’
Christiane Samarco e Tânia Monteiro
Apesar do jeito irritado com que o presidente Lula critica publicamente a oposição, acusando-a de “irresponsabilidade” por ter criado a CPI da Petrobrás, no bastidor o governo está tranquilo. São três as fontes da tranquilidade do Planalto: a esperança de conseguir segurar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito até o depoimento do presidente da estatal, Sérgio Gabrielli, no Senado; um acordo, puxado pelo DEM e o PMDB, para que os líderes não indiquem nomes para instalar a CPI, se Gabrielli for bem no depoimento; e, por último, a crença de que não há clima político para fazer uma “CPI do fim do mundo”, porque a própria oposição promete “investigação light”.
Com Lula em viagem pela Arábia, China e Turquia, e Gabrielli na comitiva, lideranças governistas vão insistir no início desta semana que havia acordo com a oposição para não instalar a CPI enquanto o presidente da Petrobrás não participasse da audiência pública de três comissões (Assuntos Econômicos, Infraestrutura e Constituição e Justiça). O PSDB, argumentarão os governistas, arrancou a leitura do requerimento da CPI proposta pelo tucano Álvaro Dias (PR) - na sessão aberta sexta-feira com apenas quatro senadores - à revelia desse acordo. Uma reunião do DEM, marcada para terça, pode ajudar a reforçar a estratégia do Planalto de segurar a instalação da CPI até o depoimento de Gabrielli.
Líder do DEM, Agripino Maia (RN) disse que “a maioria da bancada tem posição cautelosa, de ouvir Gabrielli e só instalar a CPI depois.” Para ele, o chefe da Petrobrás devia ter cancelado viagem com Lula para ir ao Senado. “Neste momento, o compromisso interno é mais importante que o externo. Se ele não convencer, o compromisso de instalar a CPI reúne toda a bancada do DEM”.
DEM em compasso de espera
A ordem, admitiu o líder do DEM, para quem o procurou na noite de sexta-feira para se aconselhar sobre retirar ou não o nome da lista de apoio à CPI, foi esta: “Aguardem até terça-feira”. O prazo de retirada de assinaturas terminou à meia-noite de sexta - só dois dos 32 senadores voltaram atrás, mantendo a comissão aberta -, mas líderes podem fazer acordo para não instalar a comissão.
Para o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), “a CPI não vai botar empresa da importância da Petrobrás no banco dos réus sem nenhuma mobilização da opinião pública”. O governo acredita que - se a comissão for mesmo instalada - estará diante de CPI que não gera crise política ou problemas maiores. “A investigação não é para destruir a Petrobrás, é para defendê-la”, resume o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
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