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As diversas facetas dos linfomas
PRESIDENTE DO DEPARTAMENTO DE CANCEROLOGIA DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA
Agliberto Barbosa de Oliveira
Denominam-se linfomas as doenças malignas originadas em células do sistema linfo-reticular formado pelos vasos linfáticos, compostos de linfonodos - popularmente denominados como “ínguas” - e de tecido linfoide - presente em várias estruturas do nosso organismo, como: pulmões, amídalas, adenoides, ossos, estômago, intestino, cérebro, testículos e medula óssea.
Os linfomas são um grupo complexo de doenças com grande variedade de formas clínicas, tratamentos e evolução, aspectos estes devidos à diversidade de tecidos e órgãos nos quais podem se originar ou atingir, nos casos em que houver progressão da doença.
Nos Estados Unidos, são aproximadamente 65 mil casos novos identificados a cada ano.
São reconhecidas mais de três dezenas de tipos diversos de linfomas, com diferentes formas de apresentação clínica, diagnóstico, evolução e de resposta aos tratamentos.
Os sintomas mais frequentes são: febre noturna com vários dias de duração, alternados com períodos sem febre; perda de peso; sudorese noturna e aumento indolor de linfonodos superficiais nas axilas, pescoço ou na região inguinal.
O diagnóstico é feito através de biópsias de linfonodos com retirada cirúrgica ou através de punções com agulhas. Vários outros exames complementam estas biópsias, como os estudos imunohistoquímicos e genéticos.
A avaliação da extensão da doença é muito importante, já que de 20% a 30% dos pacientes apresentam a doença localizada no momento do diagnóstico, permitindo obter altas taxas de controle do linfoma.
Exames de imagem como a tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética, as cintilografias, as biópsias de medula óssea e o pet scan, ainda pouco disponível em nosso meio, permitem a adequada análise da extensão da doença.
A terapêutica será individualizada para cada paciente considerando-se o tipo do linfoma, suas características de agressividade ou indolência, sua extensão, idade e condições clinicas do portador.
Os métodos mais efetivos de tratamento destas neoplasias são a radioterapia e a quimioterapia.
Há que citar que nos linfomas gástricos em fase inicial e com a presença concomitante da bactéria Helicobacter pylori, que frequentemente é identificada no estômago, o simples tratamento desta bactéria, com antibióticos, leva à regressão do linfoma gástrico em 75% a 80% dos pacientes. Podemos considerar que a erradicação da Helicobacter pylori está relacionada à prevenção de linfomas gástricos.
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