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Domingo, 17 maio de 2009   edições anteriores
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  É necessário estudar

Rangel sonha, mas o pai, ex-jogador, sabe a realidade

MARCIUS AZEVEDO, marcius.azevedo@grupoestado.com.br

Rangel, volante do time sub-17 do São Caetano, tem o exemplo em casa. O pai, Paulo, foi jogador. Ele defendeu Santo André, Paulista, Caracas, da Venezuela, e Atlético Torino, do Peru. Sabe o tamanho da dificuldade que é virar profissional no futebol. E por isso faz uma única exigência.

“Eu incentivo, é o sonho dele, mas o futebol precisa andar ao lado do estudo. As duas coisas precisam caminhar paralelamente”, afirmou, enquanto acompanhava o filho na partida contra o Santos, ontem pela manhã, no CT Rei Pelé.

A preocupação é natural. Poucos garotos que estão no atual estágio do filho vão chegar onde realmente querem.

“É difícil, mas acredito que posso fazer parte desse bolo”, sonha Rangel. “Acho que se eu não tivesse chance o meu pai já teria me dito. Ele é sempre muito sincero comigo”.

Mesmo assim, o garoto diz que segue os conselhos do pai. “Estou no terceiro ano (do ensino médio), nunca reprovei e só tiro nota azul”, contou, orgulhoso. “Gosto bastante de história.” O ponto fraco, segundo ele, está na matemática.

Em campo, Rangel mostra que sabe dividir que é uma beleza. Não poupa os adversários. Mas defende-se. “É que hoje joguei mais recuado. Sou mais técnico, gosto de sair para o jogo.”

Dura rotina

A batalha também é diária fora de campo. O volante acorda todos os dias às 5h30 para ir de Ribeirão Pires, onde mora, a São Caetano. “Vou de trem até a estação de São Caetano e depois pego mais um ônibus até o Anacleto Campanella”, conta.

Rangel chega normalmente em casa às 14h30, após treinar. Às vezes consegue descansar um pouco, mas quase sempre faz trabalhos escolares antes de sair novamente, agora para ir à Escola Estadual Ruth Neves. Seu dia só acaba às 23h.

“Não é fácil, mas é o meu sonho. Vou correr atrás dele até quando for possível.”

A família ajuda. Seu Paulo tem uma escolinha de futebol franqueada do Corinthians, enquanto a mãe, dona Nilian, administra uma loja de materiais esportivos. “Graças a Deus temos condições dar essa chance ao nosso filho. Mas, como eu disse, é necessário ele estudar também.”



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