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Sábado, 18 abril de 2009   edições anteriores
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  'Se tomar remédio, não dirija'

Anvisa quer frase de alerta nas embalagens de remédios que provoquem sonolência

FERNANDA ARANDA, fernanda.aranda@grupoestado.com.br

O governo federal deu o primeiro passo para a entrada em vigor de uma espécie de “lei seca” voltada aos usuários de medicamentos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer que, nas embalagens de remédios que provoquem sonolência ou efeito sedativo (analgésicos, antialérgicos, antibióticos e psicotrópicos), venham a mensagem de alerta “se tomar não dirija”. A proposta de restrição, que por ora não prevê nenhuma multa, tem o objetivo de reduzir os acidentes.

Para entrar em vigor, o projeto passará por um processo de consulta pública, que vai ocorrer até 11 de maio. “Vamos receber sugestões da indústria, dos consumidores e da comunidade médica. Depois, quando o texto estiver consolidado, passará pela diretoria colegiada da Anvisa”, afirma a gerente geral de medicamentos da pasta, Nur Shuquiara, que estima que, até dezembro, a portaria vai estar publicada.

A medida de alertar para os riscos ao volante promovidos pelo uso de alguns tipos de remédios atende às reivindicações de dois ministros do País: o da Saúde, José Gomes Temporão, e o das Cidades, Márcio Fortes. Ambos já afirmaram ser necessária uma proposta mais incisiva de restrição à direção para quem estiver sujeito aos efeitos de alguns medicamentos. Fortes levanta uma bandeira pessoal na causa. Seu filho de 23 anos morreu em um acidente de carro no Rio de Janeiro, em 2004. Análises mostraram que a tragédia foi influenciada pela ingestão de altas doses de antibióticos por causa de dor de dente na semana.

“Antes de pensarmos em uma lei, precisamos fazer uma campanha de conscientização porque ainda é muito pouco conhecido o impacto que os remédios podem acarretar na direção”, afirma Fortes, que é responsável pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), órgão que dita as regras viárias. “Por isso, já temos planejado que as próximas propagandas na televisão serão sobre isso”, afirmou o ministro. Os custos das campanhas publicitárias saíram dos R$ 120 milhões disponíveis por ano, recurso que vem das multas e do DPVAT.

Ainda não existem estudos científicos que comprovem a relação entre acidentes automobilísticos e uso de remédios. Mas o que sustenta a proposta do governo são três fatores principais: as 35 mil mortes anuais no trânsito brasileiro; o hábito da automedicação, praticado por 40% da população, e o que aumenta o desconhecimento dos efeitos na direção; além do aumento da idade dos motoristas (os condutores com mais de 60 anos na capital paulista representavam 8,2% do total em 2003 e hoje já somam 9,8%), faixa etária que, no geral, precisa tomar mais remédios ao mesmo tempo. “O uso agregado de várias drogas pode potencializar os efeitos na direção”, completa Fortes.

A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego já se posicionou de forma favorável à proposta e defende que os médicos de todas especialidades orientem os pacientes sobre os riscos. A General Motors também já está envolvida e organizou uma campanha, que deve ser feita em pedágios, para alertar os motoristas.

OS MEDICAMENTOS E SEUS EFEITOS

Os efeitos dos remédios dependem do tempo de tratamento, de associação com álcool, outros medicamentos ou drogas, e de fatores como peso, altura e etnia. De acordo com os especialistas, o recomendável e um período de pelo menos 6 horas entre a ingestão de um remédio e o ato de dirigir um carro. Confira os efeitos de cada medicação:

Antidepressivos (para depressão e transtornos de ansiedade, por exemplo): perda de cognição e dificuldade de visão

Analgésicos (usados comumente contra dores): sonolência

Ansiolíticos e tranquilizantes (medicamentos usados para controlar a ansiedade, por
exemplo): os efeitos são sonolência, redução dos reflexos e demora no tempo de reação

Antiepilepticos (usados em epilepsia e transtorno de déficitde atenção): sonolência
e confusão mental

Hipnóticos (usados para combater insônia e induzir anestesia): sonolência

Relaxantes musculares (para cólicas, por exemplo): sonolência e reações lentas

Estimulantes (também presentes em medicamentos para emagrecer): irritabilidade e sono

Broncodilatadores (para desobstruir as vias aéreas): taquicardia, tremores e convulsão

Antiemeticos (para enjoos): sonolência

Hipoglicemiantes e insulina (usados no tratamento de diabetes): tremores e convulsão

Neurolepticos (para o tratamento de psicoses): redução dos reflexos, demora no tempo
de reação, sedação e sonolência



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