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Segunda-feira, 16 fevereiro de 2009   edições anteriores
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  Pai paulista, avô pernambucano... É tudo Buarque

Obra recupera a história da família que fez ilustres como o pai do dicionário Aurélio e Chico Buarque

Felipe Branco Cruz

Se Chico Buarque continuasse cantando os versos da canção Paratodos: “O meu pai era paulista/ Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano...” provavelmente chegaria ao nome de José Ignácio Buarque de Macedo, um dos patriarcas da família.

Na realidade, a árvore genealógica de Chico, e de todos os seus descendentes, nasceu da união de José Ignácio Buarque de Macedo, um dos mais poderosos senhores de engenho do nordeste, que se casou com a ex-escrava e analfabeta Maria José Lima. Na época, por volta de 1790, ela colocou a educação como prioridade na família. O historiador Sérgio Buarque de Hollanda foi seu trineto. Aurélio, Cristovam, Miúcha e Chico Buarque, seus tetranetos e Bebel Gilberto, sua pentaneta.

A história desta família está registrada em dois volumes da obra Buarque - Uma Família Brasileira - escrito por Bartolomeu Buarque de Holanda, primo de Chico, lançado este mês pela editora Casa da Palavra. No primeiro volume, um ensaio com 1.200 páginas, as informações são bem técnicas e procuram descobrir a origem da família Buarque. De acordo com a pesquisa, o número já chega a 10 mil descendentes.

“É uma minuciosa pesquisa que traz personagens emblemáticos e do entrelaçamento da família Buarque com os Hollanda”, explica. A obra traz mais de 23 mil verbetes, incluindo minibiografias dos mais conhecidos.

No segundo volume, em forma de romance, o autor conta toda a saga da família. “Tive a ideia de escrever o romance após conversar com o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque”, lembra Bartolomeu. “Cristovam me disse que daria um romance depois que contei a ele que tinha descoberto que José Ignácio quase morreu afogado em um rio na divisa de Alagoas com Pernambuco. Se ele tivesse morrido, não existiria o Chico”, brinca o historiador.

Para escrever a obra, o autor disse ter levado 25 anos pesquisando 15 mil documentos. “Fui a Lisboa 12 vezes e 22 vezes a Alagoas e Pernambuco. Em Portugal, pesquisei nos arquivos da Torre do Tombo, nos arquivos ultramarinos, na Universidade de Coimbra e na Biblioteca Da Ajuda”, explica. “O historiador Sergio Buarque de Holanda nunca conseguiu descobrir a origem do seu nome. O Aurélio Buarque de Holanda tinha a ideia de que seus descendentes fossem holandeses. Pode ser. Mas não encontrei nenhuma prova.”

O romance, no entanto, privilegia a história de Maria José Lima que, segundo o autor, “soube como poucos valorizar o estudo e a educação”.

Nas páginas do livro, está registrado como a família Buarque se uniu com a Hollanda: foi em 1850, no casamento entre Maria Magdalena Paes Barreto de Hollanda Cavalcanti com Manoel Buarque de Gusmão. Cinco gerações mais tarde, nasceria Aurélio Buarque de Hollanda, lexicógrafo, filólogo, professor e autor do conhecido dicionário Aurélio, presente em quase todas as salas de aulas e residências brasileiras.



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